Um abre alas para a solidariedade

17/02/2023

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) promove, do dia 09 ao dia 28 de fevereiro, a campanha “Ô abre alas, que eu quero doar”. Nesse período, o Hospital relembra a importância das transfusões de sangue não somente para aqueles que necessitam em situações de emergência ou cirúrgicas, mas também para os que são portadores de doenças crônicas e necessitam das transfusões regularmente para manter sua saúde e qualidade de vida.

É o caso da Yarla Aparecida (foto abaixo), 10 anos, que tem anemia falciforme e vem ao HCB mensalmente para receber transfusões de sangue. A condição foi descoberta cedo e, desde os dois anos de idade, ela realiza o procedimento a cada vinte e oito dias. A mãe da menina, Rubenilda Lopes, relata que, no início, a garota tinha bastante resistência ao tratamento, porém, com a ajuda do acompanhamento psicológico do Hospital, ela foi se adaptando.

"A gente percebia ela muito fraca antes das transfusões; mesmo hoje, uma semana antes dela fazer, nós já notamos a diferença” explica Rubenilda. As transfusões de sangue servem para corrigir a anemia, que acaba causando o cansaço e abatimento da criança com mais facilidade. “Com o tratamento que ela faz, as dores diminuíram. Depois da transfusão, eu percebo que ela tem mais energia" completa.

“Me sinto agitada”, diz Yarla sobre a sensação após o procedimento no Hospital. Questionada sobre o ato de doar sangue, a menina responde: “Eu acho legal, porque faz bem para as pessoas”.

Lucas Souza (foto acima), 14 anos, também vem ao HCB na mesma frequência de Yarla. No caso do adolescente, a orientação médica para as transfusões se dá pelo risco de ele ter um acidente vascular cerebral (AVC) causado pela doença falciforme. 

Em entrevista ao podcast Rádio Dodói em 2020, a diretora técnica do HCB, Isis Magalhães, explicou que a doença falciforme faz com que as hemácias da criança assumam um formato de foice. Com isso, têm a adesividade aumentada no endotélio do vaso sanguíneo, causando a obstrução desse vaso. “Essa obstrução pode acontecer e dar o conhecido derrame, o AVC. Fazemos exames para tentar discernir as crianças que estão com mais risco – aí, entram no programa de transfusão regular” – explica Magalhães.

Consciente de que as doações de sangue ajudam a manter a qualidade da vida de Lucas, a mãe do garoto, Valeria Souza, se emociona ao falar do gesto. "Ele recebe somente de três doadores, que são compatíveis com ele. A gente não sabe quem são essas pessoas, mas eu gostaria de conhecê-las, porque sem elas não teria jeito. Eu sou totalmente grata a elas, a doação tem sido o remédio para o meu filho”, afirma.

Lucas e Yarla são duas das 80 crianças que precisam passar por transfusões sanguíneas regularmente no HCB. Considerando as diferentes doenças que também geram a necessidade de transfusão, o Hospital transfundiu uma média de 204 crianças por mês, ao longo de 2022.

A campanha de doação de sangue feita pelo HCB sensibilizou vários funcionários do Hospital – entre eles, Mayara da Silva, assistente administrativa da Gerência de Desenvolvimento de Pessoas. “É gratificante você perceber que pode ajudar, mesmo um pouquinho. Até brinquei com as meninas que vou me tornar uma doadora oficial”, conta.

Para alcançar mais doadores, a equipe do Hospital realizou uma atividade de mobilização interna. Como o slogan da ação vem de uma marchinha, funcionários que participam da organização da campanha formaram um bloquinho de carnaval. Circulando por diferentes setores do HCB, eles lembraram os colegas que é importante contribuir para manter os estoques da Fundação Hemocentro de Brasília abastecidos. 

Anna Beatriz Silva, farmacêutica do HCB, já faz doações regulares ao Hemocentro e se orgulha do ato em prol do próximo. “Eu acho que a gente tem que devolver um pouco para a comunidade, acho muito valoroso para o coletivo; você está fazendo uma pequena parte, mas que já ajuda”, explica Silva. Ela considera campanhas como a do HCB extremamente importantes porque, “as pessoas não imaginam que ceder uma parte do dia para um ato como esse seja tão importante pro outro”.

 

Texto: Beatriz Mascarenhas
Fotos: Maria Clara Oliveira