O momento de dor de uma família pode se tornar a esperança de outra, a partir de um ato de solidariedade. Foi o que aconteceu na quarta-feira (14/12/2022), no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB): após a confirmação de morte cerebral do filho de dois anos, os pais decidiram fazer a doação de órgãos para ajudar a salvar a vida de outra criança.
A família, que prefere não ser identificada, era acompanhada pelo HCB há dois anos. Como o menino tinha hidrocefalia, precisava passar por cirurgias frequentes para troca de uma válvula na cabeça. Em dezembro de 2022, a condição clínica da criança não permitia mais intervenções; após a morte encefálica, os pais comunicaram à equipe a decisão de doar os órgãos do filho, que foram colocados à disposição da Central Nacional de Transplantes (CNT). Com isso, os rins do menino puderam ser doados.
“Eu e o pai dele conversamos, porque sabemos que é muito difícil ter doadores para crianças, então tivemos essa ideia. Acho que ele ficaria feliz, porque vai ajudar outra criança. Tínhamos esperança de que ele ia ficar bem, mas não teve como e precisamos aceitar. Esse também é um jeito de confortar outra família, de certa forma”, conta a mãe. Segundo dados da Central Nacional de Transplantes, no dia 12/01/2023, 287 crianças de até 10 anos aguardavam transplantes de diferentes órgãos.
A equipe do Hospital da Criança de Brasília atuou junto à Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdott) e à Secretaria de Saúde do Distrito Federal para possibilitar o procedimento de captação dos órgãos e mantê-los viáveis para o transplante. Dessa forma, os rins da criança foram captados por equipe credenciada pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) e transportados pela Força Aérea Brasileira (FAB) à região Sul do país.
A diretora de Práticas Assistenciais do HCB, Simone Prado, reforça a grandiosidade da decisão tomada pela família da criança: “A doação de órgãos é o que mais me emociona na Saúde, porque é uma vida terminando, mas também é a possibilidade de salvar outra vida”.
Texto: Maria Clara Oliveira