Sensibilidade e comunicação contribuem para tratamento humanizado no controle da dor
26/04/2023
Na quarta-feira (26/04/2023), terceiro dia do Congresso Internacional da Criança com Condições Complexas de Saúde, especialistas abordaram o tratamento de dores e a comunicação alinhada com o paciente. As palestras envolveram reflexões sobre dimensões não verbais do cuidado com as crianças e a multidimensionalidade da dor total durante o tratamento de doenças.
O médico Marcos André Nogueira Frasson , especialista em Dor do Hospital da Criança de Brasília (Foto acima, no telão), focou sua apresentação no caráter multifacetário das dores que afetam os pacientes. Ele explicou que elementos externos colocam a criança em uma sensibilidade mais aguçada da dor; questões sociais, familiares, e até mesmo espirituais, como as crenças pessoais, podem afetar aquele indivíduo durante seu tratamento.
FrasssonNogueira deu exemplos das questões que podem afetar o paciente, como o bullying, instabilidade familiar, inseguranças alimentares e financeiras e, no caso de crianças que vivem em países com risco de guerras, o temor das questões bélicas. Segundo o médico, esses fatores resultam na dor total enfrentada pela criança, que vai além da dor física causada pela doença.
Como o Brasil recebe imigrantes de outros países e também os atende em seu sistema de saúde, o médico trouxe um olhar multicultural, pautando que existem diferentes escalas de dor para cada população. Ele afirmou que crianças de diferentes lugares do mundo podem perceber e expressar a intensidade de uma dor de formas distintas. Nogueira explicou que pacientes com influências étnicas de países com baixo desenvolvimento econômico, em situação de carência, tendem a ser mais tolerantes a dores e deixar de expressá-las, apesar de senti-las. Trata-se uma característica cultural de passar por determinados sofrimentos e não os externalizar, caso não estejam no seu limite extremo.
O especialista explicou que é necessário haver tato, carinho para lidar com esses pacientes que, mesmo não estando em condições graves de saúde, são complexos de tratar no âmbito da dor.
Marcos André Nogueira Frasson apresentou as terapias integrativas como uma alternativa ao uso farmacológico e também recomendou trocas como a fisioterapia, no lugar de analgésicos; terapia ocupacional no lugar de antinflamatórios; e a psicoterapia em vez dos opióides.
Maria Júlia Paes da Silva, professora da USP, contribuiu com o tema: “Comunicação tem remédio; como conciliar disciplina e afetividade no ambiente de saúde”. Em sua apresentação, a pesquisadora explicou: “É preciso alinhar o toque instrumental ao toque afetivo. Ser capaz de alinhar a dimensão verbal da não verbal é fundamental”. A fim de melhorar o ambiente com uma abordagem leve e trazer o que há de melhor no atendimento, Paes ressaltou a importância também da linguagem não verbal, das expressões faciais e do corpo ao lidar e dialogar com as crianças e familiares. Segundo ela, essas ações se alinham à busca de uma maior consideração do paciente, levando em conta uma perspectiva humanizada de atendimento.
Texto: Beatriz Mascarenhas