
O dia 28 de janeiro é marcado como Dia Internacional da Proteção de Dados. No Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), a data destaca a preocupação em manter informações dos usuários em segurança, garantindo o acesso apenas a quem realmente precisa. A assessora de Proteção de Dados do HCB, Cinthia Tufaile, fala sobre a necessidade de tratar os dados de quem circula no Hospital com responsabilidade:
HCB: Qual é a importância dos hospitais se preocuparem com a proteção de dados?
Cinthia Tufaile: A primeira razão é porque a gente tem uma lei hoje, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que está em vigor desde setembro de 2020, e todas as empresas públicas ou particulares, todas as pessoas jurídicas precisam cumprir essa lei. Além disso, demonstra um compromisso e uma preocupação dos hospitais com os dados que circulam nas suas atividades diárias – seja de paciente, familiar, fornecedor, trabalhadores terceirizados, voluntários... todos que circulam e têm relação com os hospitais.
Então, além de uma obrigação legal, é uma prática recomendável para demonstrar compromisso com a sociedade.
HCB: Como o HCB age para proteger os dados?
Cinthia Tufaile: Fazemos campanhas de conscientização, principalmente, com os profissionais que aqui trabalham: não compartilhar senhas, não deixar o computador aberto, não deixar material espalhado pelas mesas quando se está ausente. Como se trata de um hospital, o prontuário médico é muito importante, também (não só por causa da LGPD; existem outras regulamentações que ninguém pode acessar o prontuário). São orientações que damos aos profissionais, além de mecanismos de segurança que os próprios sistemas têm: registros de acesso, logins e senhas específicos. Também estamos trabalhando no projeto de adequação de todo o Hospital à Lei Geral de Proteção de Dados.
HCB: O HCB realiza ações constantes de segurança, voltadas a questões como a higienização de mãos e a prevenção de quedas. O Hospital também vê a preocupação com os dados como uma medida de segurança do paciente?
Cinthia Tufaile: Com certeza! Há uma preocupação, tanto da presidência do Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe) quanto da Superintendência Executiva do HCB, de tratar esses dados, cuidar com quem eles são compartilhados, limitar seu uso, sua coleta. Não queremos coletar dados aleatoriamente; é preciso selecionar de que dados, efetivamente se precisa – isso facilita tanto para quem está manipulando esses dados no dia-a-dia como a parte de segurança da informação. É muito importante que se tenha esse cuidado. Se não há uma justificativa para coletar os dados, não se coleta; é muito mais fácil trabalhar com dados mais consistentes e em um nível mais reduzido.
HCB: Qual o diferencial, para pais e responsáveis, de saberem que trazem seus filhos para um hospital que se preocupa com a proteção dos dados?
Cinthia Tufaile: A principal demonstração para um pai, a principal evidência, é que os dados das crianças – e, aqui, tratamos crianças em situações bastante especiais – não vão ser compartilhados com o Hospital inteiro. Os pais têm a segurança de que a complexidade da doença de seus filhos dele vai ser compartilhada apenas com quem realmente vai participar do tratamento. Quando se fala de um tratamento humanizado, também se passa por isso: não expor essa criança, esse adolescente a situações constrangedoras – é por isso que precisamos ter esse cuidado de com quem as informações são compartilhadas.