Projeto Anjo, no HCB, traz cuidado especial a quem cuida das crianças todos os dias

19/01/2023

Um  projeto proposto à equipe de enfermagem do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) entre novembro e dezembro, em pleno período das festas de fim de ano, à semelhança da brincadeira de  amigo-secreto, sorteou nomes de colegas que seriam “anjos da guarda” uns dos outros. Eles enviaram  correspondências anônimas, com mensagens de acolhimento, fortalecendo os companheiros de trabalho para a jornada de plantões. O objetivo era cuidar e acolher os próprios funcionários que atuam na Unidade de Internação Clínica do HCB.

Segundo a supervisora de enfermagem do setor, Laís Rodrigues, percebeu-se a necessidade de um olhar mais humanizado sobre a saúde mental da equipe. "Teve gente que mandou recados para outras pessoas, mesmo sem ter sorteado nenhuma delas, porque sabia que elas estavam passando por alguma dificuldade”, conta Rodrigues.

O cuidado diário com crianças e adolescentes internados é um trabalho delicado e que, por vezes, exige bastante dos profissionais – inclusive uma entrega afetiva. “Tivemos alguns afastamentos relacionados à saúde psíquica dos colaboradores e senti necessidade de uma estratégia que os envolvesse. Às vezes, a gente se prende muito à assistência e esquece que, por trás disso, tem uma pessoa”, explica a supervisora.

A técnica de enfermagem Déborah Ribeiro participou do projeto e aprovou a experiência: “Eu gostei, foi bem acolhedor; quando a gente recebia uma carta, ficava mais motivado. Eu já conhecia a pessoa que tirei, então foi mais fácil para mandar um recado de ajuda, de motivação”. 

A ação dos anjos anônimos chamou a atenção de outras equipes e já trouxe resultados práticos para o Hospital. A supervisora de enfermagem Laís Rodrigues diz que vai reformular a dinâmica, de modo que mais funcionários possam participar dessa dinâmica. “As pessoas viram que uma palavra pode mudar a vida da outra pessoa. É extremamente importante que a gente olhe para essa parte do psíquico, do emocional do colaborador; precisamos de um olhar mais humano. Não tem como dissociar o olhar técnico do olhar emocional”, afirma.

Em dezembro, ao final do projeto, todos os participantes se apresentaram, tirando do anonimato os "anjos da guarda" e, assim, ficou explícita a demonstração da solidariedade e do amor ao próximo.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Fotos: HCB