Musicoterapia à distância

27/07/2020

Os atendimentos em musicoterapia do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) passaram por reformulação para se adaptar à pandemia do novo coronavírus. Com a necessidade de distanciamento social, as crianças passaram a ser atendidas pelos musicoterapeutas, Ângela Fajardo e Pedro Bicaco, por meio de videoconferência.

Segundo Bicaco, as sessões virtuais foram planejadas visando a redução de estresse, ansiedade e ociosidade. “As crianças não estão na escola e a interação social diminuiu muito, então o atendimento é uma forma de reduzir esses efeitos negativos”, diz. Já Fajardo destaca a importância de que o tratamento não seja interrompido: “Você inicia um trabalho com a criança; quando ela passa muito tempo sem vir, volta regredida, algumas até param de falar”.

Arthur Osório (foto abaixo), oito anos, é uma das crianças que está recebendo atendimento à distância. Sua mãe, Maria Selma Osório, conta que manter o acompanhamento faz bem para o menino. “O fato de sempre fazer a musicoterapia acalma, deixa o Arthur mais tranquilo. Só de ver os musicoterapeutas e as outras crianças, ele já mantém essa rotina, fica mais centrado”, afirma.

Uma vez definido que o acompanhamento seria virtual, os profissionais organizaram as atividades. Como as crianças não têm acesso aos instrumentos usados no HCB, a solução foi o uso de objetos encontrados em casa, como copos, panelas e colher de pau, assim como a construção de seus próprios instrumentos musicais, como chocalhos feitos de garrafas plásticas e grãos como feijão ou grão de bico.

As sessões são feitas em grupo, entre crianças com quadros semelhantes. Por se tratar de uma terapia, Fajardo explica que tudo tem um objetivo: “Fazemos instrumentos de percussão – que trabalham motricidade ampla e fina –, que fazem ritmo, para acompanhar linhas melódicas. Reunimos crianças com o mesmo perfil de motricidade ampla, no caso do chocalho, e de motricidade fina, nos copos”.

De acordo com Maria Selma Osório, as sessões são boas para toda a família. “A gente acaba participando também, fazendo o instrumento de novo, e a gente manda um retorno em vídeo do Arthur para mostrar que está continuando as atividades ao longo da semana. Às vezes, sentamos com ele e com os instrumentos, fazemos uma rodinha – eu amo música, então é muito bom”, conta.

No que se refere às crianças e adolescentes internados no Hospital, Bicaco explica que também foram feitas adaptações. “Não tem contato físico com o paciente, os instrumentos levados são de uso exclusivo dos terapeutas. Temos usado violão e violoncelo e eles sempre são higienizados antes e depois dos atendimentos”, explica o musicoterapeuta.

Para o superintendente executivo do HCB, Renilson Rehem, é importante que os usuários continuem o acompanhamento. “Acredito que o cuidado da saúde é muito mais que fazer diagnóstico de parâmetros laboratoriais ou de imagens e resolver isso com medicações ou cirurgias. Também tem o componente fundamental do humor, da energia”, afirma.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Gerência de Comunicação: Ana Luiza Wenke