Inovação tecnológica pode auxiliar no tratamento a crianças com condições complexas

25/04/2023

A medicina pediátrica precisa investir na inovação tecnológica para aperfeiçoar o tratamento de crianças e adolescentes com condições complexas de saúde, na avaliação da médica, professora e pesquisadora Themis Reverbel da Silveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
Durante apresentação no Congresso Internacional da Criança com Condições Complexas de Saúde — organizado pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) em parceria com o Hospital Sant Joan de Déu, de Barcelona —, ela comentou que os aparatos tecnológicos podem possibilitar um atendimento mais humanizado ao público infantojuvenil que enfrenta situações raras.
 
“Não há dúvidas de que a inovação tecnológica proporciona diagnósticos mais ágeis, terapias menos invasivas e, quando bem administrada, redução de custo de tratamento. A telemedicina é importante no cuidado integral da saúde e organiza a atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou Themis.
 
Além da telemedicina, a médica elencou outras seis tecnologias que podem transformar a relação entre médicos e pacientes: terapia gênica, robótica, realidade virtual, engenharia de tecidos, inteligência artificial e vestimentas especiais. Segundo ela, esses aparatos podem ser cruciais para pacientes em condições complexas, que muitas vezes têm de lidar com essa realidade por toda a vida.
 
“A condição complexa de saúde tem uma abrangência maior que a doença em si, porque envolve mais do que isso. Envolve ciclos de vida. Há uma necessidade extrema de um atendimento global. Condições de saúde são circunstâncias na saúde que exigem respostas sociais, reativas ou proativas, eventuais ou contínuas, fragmentadas ou integradas do sistema de atenção à saúde”, analisa.
 
Na opinião dela, a extensão territorial do Brasil pode dificultar a implementação de todas essas tecnologias na medicina. Contudo, ela diz que o poder público precisa garantir que todos os cidadãos tenham acesso a essas ferramentas, principalmente fortalecendo o SUS.
 
“Como que determinadas populações podem ter acesso a esses métodos que são mais recentes? Como é que eu faço para chegar com inovação tecnológica aos quilombolas, ao povo Yanonami? Com a telessaúde, isso é possível. Para conseguir isso, penso que o SUS tem que ser mais bem aquinhoado do ponto de vista de recursos.”
 
Texto: Augusto Fernandes