
Crianças em tratamento ambulatorial no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) voltaram a participar do projeto Hospital do Ursinho de Brasília na quinta-feira (02/02/2023). Quinzenalmente, de fevereiro até junho de 2023, o HCB transforma o Hall de entrada num Centro Médico voltado a um perfil diferente de pacientes; todos são ursinhos. Meninos e meninas se transformam em médicos:eles fazem o diagnóstico, exames e tratamento.
Ticiany de Brito (foto abaixo), seis anos, brinca como se já fosse perita no assunto. Ao final do atendimento de seu paciente, ela tirou o jaleco e, otimista, falou do curioso caso da pelúcia: "Um carro atropelou o braço dele, ele estava com dor de cabeça e dor na perna. Eu curei ele, também cortei a barriga para tirar os doces e não doeu!"

A mãe de Ticiany, Suzana Santana, conta que a menina não tem medo dos procedimentos médicos pelos quais passa no HCB. “Acho que a Ticiany explica o que ela tem melhor do que eu, ela fala 'eu tenho uma doença rara'", brinca.

Maria Valentina (foto acima), cinco anos, também realizou atendimento do ursinho com tranquilidade. Yasmine Fraga, mãe da menina, gostou da forma lúdica empregada pelo projeto - ela investe na mesma tática para acalmar a filha. "Ela já fez ressonância magnética uma vez. Eu disse que iriam colocar superpoderes dentro dela, e que entraria em uma nave espacial. Ela ficou bem quietinha, não mexeu nem o olho" , relata.
O Hospital do Ursinho é um projeto social dos estudantes de medicina da UnB que oferece às crianças a oportunidade de usar a imaginação para cuidar de brinquedos de pelúcia“doentes”. A visita já era realizada no HCB desde 2017, mas precisou ser suspensa em função da pandemia da Covid-19.

Segundo Marcus Vinícius Feitoza, coordenador do projeto, o Hospital do Ursinho surgiu do convênio que os estudantes de medicina têm com o Hospital Universitário de Brasília. “ No HUB sempre tivemos acesso à UTI e Neonatal; as crianças que ficam lá estão em casos graves, e permanecem durante meses. Elas acabavam tendo receio de alguns dos procedimentos diários, como injeções, soros, colocar o acesso”, conta. A ação começou com as crianças internadas e, com o tempo, se mostrou importante também para as que não precisavam passar longos períodos no Hospital: "No começo era leito a leito, mas visando abranger o projeto de pesquisa, pensamos em fazer também em ambulatórios; estávamos ansiosos para voltar ao Hospital da Criança de Brasília”.
Texto: Beatriz Mascarenhas
Fotos: Beatriz Mascarenhas e Maria Clara Oliveira