Hospital da Criança de Brasília celebra a Semana Mundial das Imunodeficiências com apresentação teatral
15/05/2026

Responsável pelo acompanhamento de crianças e adolescentes com imunodeficiências, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) reuniu pacientes e acompanhantes para um encontro de informação sobre o tema. Realizado na terça-feira (28/04/2026), o evento foi alusivo à Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias, celebrada de 22 a 29 de abril. A equipe de imunologia e alergia do HCB preparou uma tarde especial para os pacientes atendidos não só em comemoração à data, mas em reforço à sensibilização do diagnóstico precoce.
A programação do evento teve foco na humanização do tratamento de forma lúdica. O ponto central foi um teatro educativo encenado pela própria equipe do HCB, que abordou os desafios e cuidados necessários no cotidiano dos pacientes. Na peça, o sistema imunológico ganhou vida por meio de personagens como o Neutrófilo veloz, o Linfócito T estrategista e o Linfócito B, apelidado de Fada dos Anticorpos. Juntos, eles explicaram como o corpo se defende e o que ocorre quando há uma falha genética, reforçando que as imunodeficiências não são sinônimo de fraqueza, mas sim de uma condição que exige suporte especializado.

O evento também contou com depoimentos de mães sobre a trajetória de tratamento dos filhos. Nara Godoi (foto acima) foi uma delas; ela falou sobre a descoberta da imunodeficiência de sua filha Milena, de apenas 11 meses, como um exemplo do poder do diagnóstico precoce. Milena foi diagnosticada pelo teste do pezinho ampliado, com a Síndrome da Imunodeficiência Combinada Grave (SCID), aos 18 dias de vida, sendo encaminhada imediatamente ao HCB. Aos três meses de idade, ela passou por um transplante de medula óssea, tendo sua irmã como doadora. Hoje, a família celebra o "milagre" de vê-la produzindo seus próprios anticorpos.
Tainá Banchi, hoje com 26 anos, foi paciente do HCB durante a adolescência. Diagnosticada com deficiência funcional de anticorpos com predominância de IGM, ela retornou ao Hospital para inspirar novas famílias. "É muito legal poder voltar e é importante os pacientes terem esses momentos, porque dá esperança. Normalmente somos poucos sobreviventes do diagnóstico, eles precisam ver que podem ter uma vida depois disso", afirma Banchi.
Texto e fotos: Ana Carolina Magela