HCB orienta crianças e adultos sobre manobras de desengasgo

20/03/2026

O Dia Nacional de Atenção à Disfagia, celebrado em 20 de março, foi instituído como forma de conscientizar profissionais de saúde e cidadãos sobre as alterações no ato de engolir alimentos, líquidos ou saliva. Para chamar atenção para a data, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) realizou ação, no ambulatório, orientando pacientes e acompanhantes sobre essa condição e apresentando o trabalho da Fonoaudiologia.

De perfil terciário, o HCB acompanha crianças que apresentam a disfagia devido a alguma doença que requeira tratamento específico: ela pode ser sintoma de alterações do sistema nervoso central, por exemplo, que levem a um quadro de engasgos e tosse. Segundo a supervisora de Reabilitação do HCB, Milene Fleury, é importante que os pais entendam que esses não são os únicos sinais: “A disfagia pode vir associada a uma recusa alimentar, perda de peso, infecções de vias aéreas inferiores recorrentes”. Integrando a equipe multidisciplinar, a Fonoaudiologia atua para trazer mais qualidade de vida para esses pacientes, oferecendo uma via segura de alimentação e adaptando dietas.

Durante a ação, crianças e seus responsáveis foram apresentados a alimentos de diferentes consistências e conheceram recursos fonoaudiológicos como bandagens e massageadores usados pela equipe do Hospital no cuidado com os pacientes. A Brigada de Incêndio do HCB também participou, explicando a forma correta de se realizar a manobra de Heimlich.

Vera Lúcia Ferreira é mãe de Thomas Ferreira, nove anos; os dois (foto acima) acompanharam a demonstração dos brigadistas com bastante atenção. “Quando o engasgo acontece, a gente fica desesperada se não sabe o que fazer, se não dá para chamar ninguém. Se a gente sabe tomar a primeira iniciativa, podemos ajudar a salvar uma vida”, afirma Vera Lúcia. Ela considera importante que o filho também saiba quais medidas tomar nesses casos e sempre conversa com o menino sobre formas de agir em casos de emergência. Durante a atividade no HCB, Thomas mostrou seu conhecimento: “Tem uma parte na garganta que abre e fecha, como uma porta. Esse é o lugar onde vai o ar. Se mastigar rápido demais, a porta pode não fechar a tempo e a comida entra no lugar errado”, contou.

Ao longo de 2025, o serviço de Fonoaudiologia do Hospital da Criança de Brasília realizou mais de dois mil atendimentos, sendo que a principal queixa dos pacientes era sobre alterações relacionadas à deglutição. Milene Fleury ressalta, porém, que todas as crianças e adultos são suscetíveis a engasgos. “Hoje, vivemos na correria, com muitas distrações e nos alimentando enquanto usamos telas, mexendo no celular, televisão. Isso faz com que a pessoa tire um pouco o foco da alimentação e coma mais rápido, sem prestar atenção”, diz a supervisora. Segundo ela, esses detalhes podem gerar uma mastigação ineficiente e fazer a pessoa se engasgar.

Conscientes desse risco geral, Suely Bertolazi e a filha Clarice Bertolazi (foto acima), 10 anos, aproveitaram a ação para tirar dúvidas com as profissionais do HCB e decidiram repassar, para a família, as orientações que receberam. “Esse evento é bom para estarmos bem informados. Tanta coisa que eu aprendi agora também serve para minha irmã, que mora no Sul; vou passar para ela as informações que a fonoaudióloga deu”, afirmou Suely.

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira