O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) promoveu, na quinta-feira (08/09/2022), palestra sobre a fibrose cística. O evento técnico científico foi mais uma edição do HCB+Ciência, programa que visa a divulgação de conhecimento científico produzido pelo Hospital. A pneumologista pediatra Luciana Monte, coordenadora do ambulatório de fibrose cística do HCB, explicou como a doença age no organismo e a forma como é diagnosticada.
A fibrose cística é uma doença genética rara que atinge as glândulas exócrinas, aumentando a concentração de muco espesso fora das células. O acúmulo de muco leva à perda de função de órgãos como pulmão, pâncreas, estômago e fígado, favorecendo infecções e causando problemas como insuficiência respiratória, desnutrição e cirrose hepática. Um dos primeiros sinais percebidos pelos familiares, porém, é o suor salgado.
“Uma criança com qualquer um dos sintomas deve ser encaminhada para fazer o teste do suor, para saber se a fibrose cística é a causa do problema”, explicou Luciana Monte. Segundo a pneumologista do HCB, porém, a inclusão do exame para a doença no teste do pezinho tem facilitado a detecção: “Com o avanço da triagem neonatal, conseguimos que a maioria da população brasileira diagnosticasse precocemente”.
De acordo com a pneumologista, o resultado da triagem neonatal é apenas o primeiro passo na investigação da doença; depois dele, a criança é encaminhada ao HCB para exames de confirmação. “Às vezes, a pessoa tem o teste do pezinho positivo e acha que já é o diagnóstico. Essa é uma bandeira de alerta: repete o teste e, se der positivo novamente, faz o teste do suor. No Sistema Único de Saúde, temos a felicidade de falar que está funcionando muito bem: o laboratório chama a família, já faz os testes e, dando alterado, já encaminha para o Hospital. É importante os pediatras da rede privada também encaminharem as crianças para o teste do pezinho”, lembrou Monte.
Uma vez admitida no HCB, a criança diagnosticada com fibrose cística inicia o tratamento com fisioterapia respiratória, dieta hipercalórica e uso de medicamentos para tornar o muco mais fluido. Ao explicar um pouco do tratamento, Luciana Monte também apresentou um panorama dos avanços internacionais em termos de novas medicações.
O Hospital da Criança de Brasília é referência, no Distrito Federal, no tratamento da fibrose cística. O acompanhamento é feito de forma interdisciplinar: a criança é acompanhada por médicos pneumologistas, gastroenterologistas e outros, além de fisioterapeutas, profissionais de enfermagem, nutricionistas e assistentes sociais. O atendimento é feito em consultórios preparados e é comum que mais de um profissional participe simultaneamente do atendimento. “Valorizo muito a atuação interdisciplinar que temos feito aqui no HCB; é quando toda a equipe está reunida que conseguimos evoluir, tirar dúvidas da família”, afirmou Monte.
Para saber mais sobre a fibrose cística, acesse o canal do Hospital da Criança de Brasília no YouTube voltado ao ensino e à pesquisa.
Texto: Maria Clara Oliveira
Foto: Cláudia Miani