HCB amplia atenção ao tratamento da doença inflamatória intestinal

13/05/2022

Comumente ligados a uma origem inespecífica, como a ingestão de alimentos contaminados ou sensibilidade a ingredientes, os sintomas gastrointestinais podem ser ignorados. O risco de fechar os olhos às dores abdominais e diarreias é adiar um diagnóstico grave da doença inflamatória intestinal, caracterizada pela colite ulcerativa e doença de Crohn.

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) atende pacientes com as duas manifestações da doença. A médica Elisa de Carvalho, especialista em gastroenterologia pediátrica e diretora clínica do HCB, lança importante alerta para os sintomas e novos perfis atingidos pelas doenças inflamatórias entre crianças e adolescentes.

“Diarreia crônica, que tem maior duração, especialmente se tiver sangue nas fezes. Dor abdominal e impacto nutricional negativo são os sintomas digestivos mais chamam atenção. No entanto, se a doença progride ao que chamamos doença de Crohn, pode formar fístulas, obstrução do intestino, alterações na pele”, explica Elisa.

A médica esclarece que existe uma “janela de oportunidade” para a efetividade do tratamento. "A gente precisa tratar enquanto a doença não está tão grave e enquanto a criança não tem alterações definitivas, que implicam na estenose do intestino, as fissuras, bem como no impacto no crescimento da criança”.

De acordo com a especialista do HCB, tem-se observado o aumento da incidência da doença a pacientes mais jovens. "O pico de incidência na faixa pediátrica ocorre em crianças maiores e adolescentes, mas hoje a gente tem crianças que receberam o diagnóstico com um mês de idade. Merece uma reflexão que é - o que nós estamos fazendo com as nossas crianças? -, existem fatores genéticos e também aqueles relacionados ao estilo de vida e alimentação”.

Devido ao crescimento de casos da doença no público infantil, o HCB ampliou a atenção dos pacientes acometidos pela doença inflamatória intestinal. A equipe médica passa a contar com a especialidade de proctologia pediátrica, importante para o diagnóstico e futuro tratamento das crianças.

"Estamos nos organizando para estar mais preparados no ponto de vista da integralidade do tratamento que essa criança precisa. Não basta apenas um médico gastroenterologista pediátrico, mas do proctologista, enfermagem, assistência social, nutricionista, psicólogo e todo o apoio de diagnóstico com os exames de imagem”, elucida Elisa.

Texto: Erika Manhatys