Futuro chef realiza um desejo

17/12/2021

Aos 16 anos, Marcos Vinícius Magalhães sabe a profissão que quer seguir: chef de cozinha. O adolescente, que faz tratamento no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) para doença renal, está no primeiro ano do ensino médio e planeja estudar gastronomia; no tempo livre, gosta de procurar vídeos que mostrem cozinhas profissionais e fez uma visita à do HCB. A ideia da visita partiu do próprio Marcos: “A comida daqui é ótima, nunca teve nada que eu não gostei; já até veio sorvete para mim, eu adorei! Eu falei, uma vez, que sabia que o Hospital tinha uma cozinha grande e perguntei se podia conhecer”.

A visita aconteceu em setembro, enquanto Marcos estava internado. Acompanhado da equipe de nutrição do HCB, ele conheceu a cozinha enquanto os funcionários terminavam de preparar o almoço – e pôde, inclusive, ajudar um pouco: “Gostei daquela hora em que eu virei a carne grelhada”.

Apesar de ser a primeira vez que Marcos Vinícius entrou em uma cozinha profissional, o adolescente mostrou que entende do assunto: se interessou sobre a forma como os alimentos são guardados, a procedência de frutas e verduras e até a forma de higienização das louças. Além disso, ele aproveitou para tirar dúvidas sobre seus pratos preferidos no HCB. “Gosto da peta e fico curioso, porque toda peta é salgada; a peta daqui veio sem nenhum sal e eu me amarrei nisso! Ela é gostosa, crocante”, afirma – antes de ir embora, ele ainda conversou com um confeiteiro sobre a receita do biscoito.

A equipe mostrou ao adolescente qual é o fluxo seguido pelos funcionários para garantir que cada paciente receba refeições respeitando a especificidade de seu tratamento. “Faço tratamento para os rins. Minha dieta já fala: é hipossódica, não pode ter muito sal, conservantes, nem proteínas, carne, essas coisas”, explica Marcos.

O sonho de Marcos Vinícius de se tornar chef surgiu em casa: a mãe já trabalhou como cozinheira. “Eu falei para ela: ‘mãe, quando eu for muito grande, vou ser cozinheiro e vou trazer isso para a senhora’.”, conta. Inspirado na mãe, que sempre encontra formas criativas de incrementar as refeições, ele também faz substituições para adequar seus pratos preferidos à sua dieta.

“Eu gosto muito de miojo; como não posso pôr aquele temperinho, eu invento: ponho creme de leite, um queijinho ralado, e fica uma delícia – o queijo tem um pouquinho de sal, então já vai dando um sabor”, diz o aspirante a chef de cozinha. Com vontade de ter seu próprio restaurante um dia, ele garante que seu talento para a culinária vai além do macarrão: “Faço bolo, faço coxinha, sei fazer enroladinho”.

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira