Fevereiro Laranja em combate ao câncer infantil

02/02/2022

O mês de fevereiro é marcado pelo combate à leucemia, um dos principais tipos de câncer a acometer o público pediátrico – 15 de fevereiro é o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil. Considerada rara, a doença apresenta maiores possibilidades de tratamento quando diagnosticada precocemente; por isso, a campanha Fevereiro Laranja busca conscientizar os adultos sobre a importância de estar atento a sinais e sintomas. O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) aderiu à campanha – o HCB recebe, a cada ano, de 180 a 200 novos casos de câncer em seu serviço de oncologia pediátrica, e os mais comuns são as leucemias e os tumores do sistema nervoso central.

Segundo a oncologista do HCB Flávia Delgado, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologista Pediátrica (Sobope), o diagnóstico precoce pode determinar todo o curso do tratamento em casos de câncer. “Em um retinoblastoma, é a diferença entre perder o olhinho ou a vida – ou manter a visão dos dois olhos. No caso de um tumor ósseo, é a chance de manter um membro com boa funcionalidade – ou perder o membro e, quem sabe, a vida”, afirma.

O câncer se manifesta em diferentes sintomas, como palidez, inchaços, hematomas ou febre recorrente. Delgado explica que, para que a doença seja diagnosticada a tempo, é preciso que tanto a família quanto os médicos saibam perceber os sinais de que há algo errado com a criança: “O importante, mesmo, é olhar para ela. O pai precisa conhecer o filho; se o comportamento dele foi sempre assim, ou mudou um pouquinho”.

Cuidado especial na atenção primária

Para Flávia Delgado, é importante que os profissionais da ponta – clínicos gerais, médicos da família, pediatras das Unidades Básicas de Saúde (UBS) –, mesmo em casos que parecem mais simples, levem em consideração o relato dos pais e a possibilidade de um câncer. “Na maioria das vezes, os sintomas não são claros, se confundem com infecções; mas se a mãe já está vindo pela terceira vez ao pronto-socorro, será que não é estranho? Se ela está falando que a criança não está bem, isso é muito importante, porque a mãe é a porta-voz, é quem conhece e convive com aquela criança”, alerta a oncologista, que participa de uma palestra sobre tumores do sistema nervoso central no dia 15/02/2022, às 16h, com transmissão virtual.

Apesar das leucemias serem mais comuns, é preciso estar atento a outros tipos de câncer infantil. Delgado explica que alguns deles podem ser identificados durante uma consulta, mesmo que o atendimento tenha sido motivado por um resfriado ou outra situação. “Há a oportunidade de examinar a criança? Examine atentamente. Cerca de 3% de todos os cânceres no Brasil acontecem em crianças, é muito raro. No entanto, é a principal causa de morte por doença – e nós podemos mudar esse cenário”.

 

Texto: Maria Clara Oliveira