
Garantir a segurança de uma criança que passa por tratamento de saúde envolve prevenir infecções e, caso elas aconteçam, agir em tempo hábil para combatê-las. Para aprimorar este cuidado, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) implementou novo processo de vigilância, integrando a equipe de enfermagem ao monitoramento de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (Iras).
As Iras se dividem entre infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS), pneumonia associada à ventilação e infecções do trato urinário. Dos três tipos, o mais comum no HCB é o IPCS, devido ao perfil de pacientes atendidos pelo Hospital: crianças imunossuprimidas, vários tipos de catéteres e grande complexidade de acessos venosos. Periodicamente, os pacientes internados passam por visitas em que se coletam os “bundles”, conjuntos de informações referentes ao controle de infecções.
As visitas para verificação de cateteres das crianças internadas no Hospital são feitas pelas equipes do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do HCB e de enfermagem. Ao envolver mais profissionais na tarefa, o Hospital consegue identificar sinais de infecção mais rapidamente.
“Sempre trabalhamos com os bundles de IPCS, mas as auditorias eram muito centradas no SCIH. Tínhamos dificuldade em cobrir alguns turnos e de discussão de condutas entre as equipes”, relata o gerente do Serviço, o infectologista Bruno Lima. Com a implementação do novo processo, a equipe do SCIH orientou os enfermeiros sobre a melhor forma de analisar os catéteres e quais informações coletar com pacientes e acompanhantes.

Para a gerente da Linha de Cuidado do Paciente Oncohematológico, a enfermeira Lorena Borges, essa integração “traz tempo de resposta mais rápido; podemos ver os sinais precocemente e agir precocemente para evitar a infecção”. A periodicidade das vistorias varia dependendo do perfil de atendimento de cada ala da internação do HCB, mas todos os pacientes são acompanhados no que se refere a vermelhidão, presença de sangue, fluidez do cateter e outras características relacionadas a um processo infeccioso.
O HCB também adotou ferramenta para o registro das visitas, gerando um histórico de cada paciente. Com isso, em casos de infecção, é possível verificar, no registro, outras informações relacionadas à causa ou ao manejo do quadro. “Hoje, o processo todo é registrado na plataforma RedCap e conseguimos rastrear todos os bundles nominalmente. Se tivermos uma infecção e quisermos rastreá-los retroativamente, temos acesso a essas informações, o que foi um ganho muito grande”, diz Lima.
O novo processo teve início em 2025, como um projeto piloto, e alcançou toda a internação em janeiro de 2026. Ao longo das diferentes fases da implementação, o HCB tem mantido taxa de conformidade de 96%. A expectativa é que, ao final do primeiro semestre de 2026, os dados consolidados confirmem os bons resultados alcançados até o momento.
A experiência do HCB com o novo processo foi apresentada durante webinar promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em alusão ao Dia Nacional do Controle de Infecções Hospitalares (15 de maio). Ao longo do evento, realizado na véspera da data comemorativa, representantes de cada região do país relataram as medidas de vigilância tomadas para garantir a segurança dos pacientes, possibilitando a troca de informações e de experiências exitosas na prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (Iras).
Texto e fotos: Maria Clara Oliveira