Diálogo entre saúde e comunicação

13/11/2019

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) realizou, de quarta a sexta-feira (30/10 a 01/11/19), seu IV Encontro de Comunicação e Saúde. O evento reuniu profissionais das duas áreas em diferentes mesas e palestras ressaltando a importância de alinhar o diálogo entre a saúde – que, segundo o publicitário Bob Vieira da Costa, “é o tema número um de atenção das pessoas do Brasil inteiro, por ser uma coisa que preocupa” – e o trabalho de comunicação.

O publicitário, que é presidente da agência de publicidade NovaSB/SP, participou de uma das mesas do evento e explicou que essa preocupação quanto à saúde é reforçada quando se trata do tipo de atendimento realizado pelo HCB. “A saúde efetivamente tira o sono de uma família. Quando você junta a questão da criança, tem uma dimensão do emocional de fortíssima intensidade”, afirmou Vieira da Costa. Para ele, a característica emocional das notícias deste tema tem a importância de “garantir as condições para que mais pessoas possam ser atendidas”.

Essa garantia passa pela divulgação, por meio da imprensa, de assuntos que acontecem dentro das instituições de saúde. A jornalista Rita Yoshimine (que acompanhou a história da separação das gêmeas craniópagas Mel e Lis), da TV Globo, afirmou: “Quando eu, contribuinte, sei que o dinheiro que eu pago em impostos foi utilizado num hospital da rede pública e a cirurgia dá certo, o dinheiro do meu imposto valeu a pena”.

Participantes do Encontro de Comunicação e Saúde destacaram a importância da assessoria de imprensa como intermediador entre os jornalistas e as instituições. Heraldo Pereira, âncora do Jornal das Dez, da GloboNews, explicou que esse diálogo é importante para a forma como o Hospital é visto pela sociedade. “Na maioria das vezes, o assessor é quem vai me dar uma informação preliminar para que eu possa abordar, com mais facilidade, o profissional médico e dar a significação que vocês devem ter na opinião pública”.

Dad Squarisi, editora de Opinião do Correio Braziliense, reforçou que, para que o diálogo das instituições com a imprensa seja eficaz, é preciso que os assessores estejam bem informados. Ela exemplificou: “na crise do Hospital da Criança de Brasília, a assessoria tinha os fatos que possibilitaram aos editores fazer reportagens sérias e corretas”. Squarisi explicou formas para que um repórter seja mais eficiente em suas matérias e afirmou que, a partir do momento em que recebe as informações, ele tem “três desafios: entender a notícia, escrever e ser entendido”.

Durante o evento, também foram abordados temas como a comunicação em situações de crise na saúde pública. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, deu exemplos de crises recentes no Brasil – como resistência a antimicrobianos e desastres que trazem consequências para a saúde – e afirmou que, “cada vez mais, precisamos ter planos de comunicação de risco, planos de emergência e contingência, em todas as esferas”. Oliveira explicou, ainda, que as instituições devem estar atentas às necessidades de seu público no momento de solucionar as crises: “As pessoas querem saber o que se deve fazer e querem saber que você se importa com o problema delas”.

Papel do comunicador

Outro profissional a participar do evento foi o assessor de comunicação do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), José Américo Moreira, que explicou que a comunicação atua de diversas maneiras dentro das instituições de saúde. “Não é só escrever textos e atender a imprensa, tem toda a parte de eventos dos hospitais, esse complexo que reúne tudo que é comunicação. Desde a colocação de avisos internos, publicação de cartilhas, guias de orientação, tudo isso faz parte de comunicação”, afirmou.

A chefe da Assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do DF, Nadja Araújo, ressaltou que “a comunicação em saúde é um campo que produz conhecimento, não apenas dissemina conhecimentos produzidos”. Araújo explicou: “Não se descarta o dever de informar, mas se reconhecem estratégias de ampliação das vozes tradicionalmente silenciadas em favor das vozes autorizadas da ciência e do saber”.

O jornalista e diretor da BR+ Comunicação/DF Mário Quinderé falou sobre a produção do conteúdo feita pelas assessorias e a forma como ele influencia na imagem das empresas – especialmente nas redes sociais. Segundo Quinderé, é preciso fazer pesquisas para saber qual a percepção que o público tem da instituição e, a partir daí, definir como o conteúdo será produzido. O jornalista lembrou, ainda, a importância de manter os funcionários engajados: “os maiores embaixadores da marca são os funcionários, porque eles têm uma autoridade que ninguém tem: eles trabalham naquele lugar e constroem, todo dia, aquela narrativa de sucesso da instituição”.

Futuro das crianças

 

A programação do Encontro de Comunicação e Saúde também contemplou palestras que ajudavam a pensar o futuro das crianças e adolescentes. O publicitário André Torretta falou sobre as mudanças sociais e econômicas pelas quais o Brasil passou ao longo dos anos e afirmou: “Somos nós que decidimos se o amanhã será melhor, o futuro das crianças passa pela minha conscientização”.

Já a médica especialista em geriatria e gerontologia Andrea Prattes fez uma projeção sobre o futuro, especificamente, de crianças com o perfil do público atendido pelo HCB. “Como falar para uma criança do público desse hospital terciário – que trata de doenças crônicas, doenças complexas, doenças graves – sobre essa longa vida que eles potencialmente poderão ter?”, questionou Prattes, destacando que, com a tecnologia atual, a sobrevida dessas doenças já aumentou. Ela elogiou o papel do Hospital de oferecer atenção terciária de forma humanizada, afirmando que o HCB se baseia não só em evidências, mas também em empatia. “Não é só se colocar no lugar do outro, mas tratar o outro como ele gostaria de ser tratado – é uma medicina muito pura e é o que a gente precisa praticar”, garantiu.

Os participantes acompanharam, ainda, uma palestra do mágico Rapha Santacruz sobre formas de interação humanizada. “O mais importante é a conexão com as pessoas – crianças, adultos –, quando você está falando com as pessoas, quando está atendendo uma criança, um paciente”, disse Santacruz, que também ministrou uma oficina de mágica para funcionários da assistência do HCB..

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Fotos: Juceli Cavalcante e Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Gerência de Comunicação: Ana Luiza Wenke