Dez horas de cirurgia para solucionar câncer raro

14/06/2022

Profissionais do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e do Hospital da Região Leste, no Paranoá, se uniram, na quinta-feira (09/06/2022), para realizar uma cirurgia complexa: a retirada de um tumor paravertebral da coluna de uma menina de 12 anos. O procedimento teve 10 horas de duração e alcançou resultado positivo: a criança se recupera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HCB.

Segundo Márcio Marcelino, neurocirurgião do Hospital da Criança de Brasília, o tumor que foi retirado é considerado pouco comum no público pediátrico. “Normalmente, os tumores paravertebrais em criança são neuroblastoma, tumor de Wilms. Esse nos apresentou um laudo preliminar de que fosse um tumor de células gigantes, que é relativamente raro. Ele tem características histológicas de benignidade, porém é muito agressivo localmente – seria um tumor que se finge de bonzinho, mas é muito mau e destrói bastante as estruturas”, explica o neurocirurgião.

Para que o sucesso fosse alcançado, três equipes se envolveram no procedimento: a de neurocirurgia do HCB, para liberação das estruturas nervosas; a de cirurgia pediátrica do HCB, para liberação do abdômen e dos órgãos; e o neurocirurgião Amauri Godinho, que permitiu a ressecção da área comprometida pelo tumor e a fixação da coluna. “Foi uma cirurgia bem demorada, mas muito satisfatória e muito bem equilibrada pela equipe de anestesia do HCB, também. Foi um envolvimento muito grande da equipe do centro cirúrgico”, afirma Márcio Marcelino.

Os profissionais trabalharam integrados desde antes da cirurgia, que precisava ser feita em uma única etapa: durante duas semanas, os neurocirurgiões Márcio Marcelino e Amauri Godinho acompanharam os exames da criança, para definir a abordagem que seria adotada. “Um procedimento desses exige muito planejamento, não só técnica. O desafio era tirar todo o tumor em bloco, sem prejudicar a medula. A chance de cura seria tirar o tumor inteiro sem lesá-lo, sem violar sua cápsula, para não espalhar o material e ter risco de recidiva”, esclarece Godinho, que já participou de outros procedimentos da neurocirurgia do HCB.

Boa recuperação

A criança que passou pela cirurgia é uma menina de 12 anos, natural da cidade de Feijó, no Acre. Ela começou a sentir dores nas costas em novembro de 2021, mas foi diagnosticada com problemas renais; em março de 2022, um exame de raio-X mostrou uma alteração na coluna e, em abril, a menina – que gosta muito de correr e andar de bicicleta – não conseguia mais andar nem ficar sentada. Encaminhada ao Hospital da Criança de Brasília em maio, ela passou pela cirurgia e se recupera na UTI.

“Foi uma cirurgia muito grande, sabemos que vai levar alguns dias para que ela vá melhorando, mas a recuperação está dentro do previsto. Vamos liberar para a oncologia depois que ela estiver, realmente, bem recuperada do ponto de vista da neurocirurgia: boa cicatrização, bem equilibrada, com menor necessidade de medicações”, diz Marcelino. A equipe de oncologia será responsável pelo tratamento para evitar o retorno do tumor, mas os profissionais da neurocirurgia ainda avaliarão a criança para verificar a necessidade de outras cirurgias no futuro.

 

Texto: Maria Clara Oliveira