
“Conhecer mais para cuidar melhor de quem tem câncer infantil” foi a lição passada pela oncologista e hematologista Isis Magalhães, diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), durante live promovida pela Secretaria de Economia do Distrito Federal. O evento, transmitido na terça-feira (15/02/2022) – Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil – buscava saber se a doença pode ser combatida e curada.
O câncer é a primeira causa de morte por doença nas crianças e adolescentes nos países desenvolvidos; caso seja diagnosticado precocemente e tratado em centros especializados, porém, as taxas de cura podem ser altas. Durante a palestra, Magalhães deu ênfase a este ponto positivo.
“Em alguns países, as cifras atingem 75%, às vezes 90% de chance de cura para alguns tipos de câncer. Nunca falamos tanto nessa abordagem de que é possível curar, mas o primeiro mundo propaga que alcançaram a sobrevida de 80%”, afirmou a diretora. Segundo ela, a doença precisa ser enfrentada com realismo – mas, se antes era considerada fatal, hoje já é vista como tratável: “Encaramos essa jornada de tratamento sempre com o otimismo de que vamos vencer”.
Para que o resultado positivo seja alcançado, porém, ela destaca que é preciso iniciar o tratamento cedo. “Nosso foco é um diagnóstico precoce e preciso e um tratamento adequado; esse é nosso mantra. Não adianta só ter o medicamento específico que lutará contra o câncer, preciso ter um complexo arsenal que dê suporte às complicações e toxicidades da quimioterapia”, ressaltou Magalhães.

O arsenal inclui centros de tratamento que contam com alta tecnologia, laboratórios de biologia molecular, protocolos rígidos e específicos para cada tipo de câncer, bem como transplante de medula óssea – recursos hoje disponíveis no Hospital da Criança de Brasília, uma unidade de referência nacional e que integra a rede pública de saúde do Distrito Federal. Isis Magalhães relatou que, “desde a década de 80, a porcentagem de sobrevida era muito maior entre as crianças tratadas em centros específicos de oncologia pediátrica, dada a necessidade de um cuidado particular às complicações dessas crianças”.
Buscando sempre oferecer o melhor para as crianças e adolescentes, O HCB também mantém contato com outros centros de tratamento. “Procuramos verificar, na métrica internacional, como estamos em termos de serviço e nos submetemos a avaliação junto à Aliança Global do Hospital St. Jude. Mais que ficarmos satisfeitos de receber uma boa pontuação, identificamos quais os pontos de melhoria em que devemos fazer projetos”, explicou a diretora técnica do HCB.
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Texto: Maria Clara Oliveira