Combate ao câncer em debate

13/02/2023

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) participou, na segunda-feira (13/02/2023), de sessão solene da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Câncer (celebrado em 4 de fevereiro). A superintendente executiva do HCB, Valdenize Tiziani, e o médico oncologista José Carlos Córdoba integraram a mesa da sessão, que foi proposta pelo deputado distrital Jorge Vianna. Também participaram: o chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan), Gustavo Ribas; o chefe da Assessoria de Relações Institucionais do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), Delmo Menezes; a representante da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Ana Paula Soares; e o diretor geral do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), Alexandre Lira de Lisboa. O presidente do Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), Francisco Duda, também compareceu à solenidade.

Segundo Jorge Vianna, a sessão solene foi uma forma de “homenagem a todos que estão lutando, que trabalham, que se dedicam a minimizar a dor de quem sofre com essa doença". Durante o evento, o parlamentar elogiou o HCB, afirmando que o Hospital é “exemplo de tudo, uma referência da qual temos orgulho”.

Valdenize Tiziani apresentou o trabalho do HCB na atenção oncológica pediátrica. "O Hospital recebe aproximadamente 200 casos novos de câncer por ano; desde 2018, damos tratamento realmente integral dentro dessa unidade, em Brasília. Com isso, temos aumentado significativamente as taxas de cura”, disse a superintendente executiva; ela aproveitou para parabenizar. Os profissionais do Hospital que atendem crianças e adolescentes com câncer.

Tiziani também comentou a atuação da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace) no apoio voluntário e na captação de recursos que viabilizam a aquisição de tecnologias importantes para o cuidado com os pacientes - como as empregadas no laboratório do HCB. "O laboratório nos permite fazer um diagnóstico molecular, individualizado, com precisão para cada criança. O câncer infantil é uma condição clínica que não tem prevenção, o acesso rápido é condição fundamental para o sucesso da cura", disse a superintendente executiva, demonstrando que o diagnóstico rápido e correto favorece os resultados positivos no tratamento.

O oncologista do HCB José Carlos Córdoba reforçou a importância do diagnóstico precoce e aconselhou sobre a integração necessária entre diferentes áreas para qualificar o trabalho realizado.  "Desde o início, nossa assistência tinha que estar associada à pesquisa e ao ensino; hoje, colhemos os frutos desses esforços", contou o médico. Ele também explicou que o atendimento oncológico precisa da ajuda de outras especialidades médicas: "Na pediatria, há uma parceria em que o oncologista instiga os outros especialistas a também entender de câncer, porque ele sozinho não dá conta do tratamento".

O chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan) da Secretaria de Saúde, Gustavo Ribas, apresentou dados de incidência do câncer: o Distrito Federal recebe 7.200 casos novos por ano, e 40% dos casos de câncer no Brasil estão ligados aos hábitos de vida - ou seja, é possível preveni-los (estes dados englobam os casos de câncer em adultos). "Diante desses números e das políticas de prevenção, o objetivo é que o paciente seja inserido na atenção integral", afirmou Ribas. Ele explicou, ainda, como se estrutura o fluxo assistencial de atendimento oncológico na rede pública do Distrito Federal, destacando que as linhas de cuidado são estabelecidas com base nos pilates de integralidade, eficácia e humanização.

O chefe da Assessoria de Relações Institucionais do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), Delmo Menezes, repercutiu os números sobre câncer apresentados por Ribas - especialmente o dado de que 40% dos casos poderiam ser evitados. “Cada um de nós já perdeu um ente querido ou tem um familiar acometido por essa doença. Iniciativas como essa sessão são brilhantes e têm que ser feitas, porque temos que chamar a atenção da comunidade local, nacional, internacional”, garantiu Menezes, que também parabenizou os “profissionais de saúde que se doam para aliviar a dor alheia”.

O diretor geral do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), Alexandre Lira de Lisboa, falou sobre o papel dos cuidados paliativos e ressaltou que "uma equipe multidisciplinar, atenta a todas as necessidades do paciente para que tenham qualidade de vida, mesmo no fim da vida, é muito importante”.

Já a representante da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Ana Paula Soares, falou sobre o trabalho voluntário de humanização e acolhimento realizado pelo grupo e trouxe o ponto de vista dos pacientes, garantindo que “O câncer não pode ser tratado como as outras enfermidades porque é uma das doenças mais ameaçadoras quando recebemos o diagnóstico”.

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira