Cirurgias no cérebro com mais precisão

01/02/2021

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) passa a contar com um novo neuronavegador, equipamento que traz mais segurança para cirurgias cerebrais. Usado ao longo de todo o procedimento, ele mapeia o cérebro da criança, ajudando a localizar as áreas que precisam ser operadas. “Ele permite descobrir tumores, hidrocefalias com septações, ajuda em plásticas do aqueduto cerebral”, explica o neurocirurgião do HCB Benício Oton de Lima.

Neuronavegadores comuns são presos à cabeça por meio de pinos, imobilizando o paciente durante a cirurgia. O que chegou ao HCB é híbrido: também permite o mapeamento por sensores magnéticos, sendo mais apropriado para crianças com menos de quatro anos. “No caso de bebês, não dá para prender a cabeça com os pinos, porque ela ainda é frágil; acima de quatro anos, a criança já pode usar os pinos. O nosso tem os pinos e os sensores, traz mais segurança, mais qualidade, mais rapidez no procedimento”, diz Oton de Lima.

O novo equipamento do HCB é o primeiro de modelo híbrido do Distrito Federal. Em outros países e em algumas instituições de São Paulo, ele já é utilizado. A compra foi realizada depois que o deputado distrital Agaciel Maia destinou emenda parlamentar de um milhão de reais para o Hospital da Criança de Brasília – após liberação pela Secretaria de Saúde do DF (SES/DF), a verba foi empregada na compra do neuronavegador.

O neuronavegador é composto por câmera infravermelha, que capta os sinais de pequenos sensores utilizados durante os procedimentos – essa captação permite localizar o ponto do cérebro onde a cirurgia precisa ser realizada. “Ele é excepcional, funciona como um GPS da cabeça; durante a cirurgia, tenho um guia para minha mão”, afirma Oton de Lima.

A nova tecnologia vai beneficiar muitas crianças. “Os números vêm crescendo. Hoje, a quantidade de crianças com tumores cerebrais chega a cerca de 50 por ano; com hidrocefalias complexas, 30 por ano – então, são cerca de 80 crianças por ano que podem ser atendidas, com resultado melhor e menos riscos de sequela”, afirma o neurocirurgião.

A primeira cirurgia foi realizada na quarta-feira (27/01/2021), para retirada de um tumor do cérebro de um menino de quatro anos. A mãe da criança afirmou que estava nervosa, mas se acalmou ao entender que o novo equipamento traria mais segurança ao procedimento: “O doutor Benício me explicou que era uma máquina muito boa e eu fiquei mais tranquila”.

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Gerência de Comunicação: Ana Luiza Wenke