O dia 31 de agosto foi instituído, em 1949, como o Dia do Nutricionista. O Hospital da Criança da Brasília José Alencar (HCB) conta com 32 nutricionistas e técnicos em nutrição, atuando em diferentes áreas na promoção da qualidade de vida das crianças e adolescentes acompanhados pelo HCB.
A equipe de nutrição do Hospital está presente no ambulatório e na internação, se dedicando à prevenção, organização e produção de dietas, garantia da segurança alimentar e realização da Triagem de Risco Nutricional. Segundo a gerente de Nutrição do HCB, Nádia Gruezo, os profissionais “avaliam peso, diagnóstico, fatores mais macro; a partir daí, falam se tem risco ou não e começam a cadeia de acompanhamento propriamente dito. Se tem risco, entra o planejamento terapêutico nutricional, em relação a cardápio, quantidade de calorias, qual composição esse paciente teria melhor aceitação”. Gruezo explica que, com 100% das crianças internadas triadas, é possível identificar aquelas que apresentam risco nutricional, de forma a prevenir complicações e tratar doenças de forma precoce.
Devido à importância da área na saúde das crianças, a Nutrição integra a equipe multidisciplinar do Hospital, trabalhando em conjunto com outros profissionais. Na internação, os nutricionistas se dedicam a especialidades pediátricas; no ambulatório, participam de grupos específicos para crianças com diabetes, obesidade, fibrose cística e outras doenças. “Tivemos que estratificar nas patologias; todas demandam demais da Nutrição, pelas características da doença de base”, conta a gerente.
Com essa dedicação, a equipe (que foi homenageada em sessão solene extraordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal no dia 23/08/2022) realiza orientações e prescrições de dieta pensando nos desdobramentos que virão do tratamento. “Se você trata as deficiências da criança, vai ter um adulto mais saudável, com qualidade de vida e com menos risco de doenças crônicas. Então, quando a gente fala de prevenção olhando para uma criança com doença aguda, também tem que pensar lá na frente, e o ambulatório tem esse papel”, afirma Gruezo.
A diretora clínica do Hospital e gastroenterologista Elisa de Carvalho concorda: “O desafio para uma expectativa de vida longa, anteriormente, era sobreviver a doenças infecciosas. Hoje, temos as doenças crônicas: o aumento das alergias, da doença inflamatória intestinal, diabetes, obesidade e outros desafios”. Com essa mudança, os profissionais de saúde entendem que a alimentação adequada a cada indivíduo é de suma importância. “A nutrição é fundamental para a saúde atual e futura; influencia não só no hoje, mas em toda a vida. Isso aumenta a responsabilidade e traz uma janela de possibilidades que temos que saber utilizar”.
Dietas adaptadas
As especificidades de cada doença interferem na organização das dietas que os nutricionistas prescrevem às crianças internadas - as refeições seguem as restrições e necessidades de cada tratamento, assim como a evolução do estado de saúde de cada uma. Há outro ponto, porém, que impacta no trabalho dos nutricionistas do HCB: a aceitação à dieta, influenciada pelas preferências da criança, sua cultura e suas crenças.
“O paciente nem sempre aceita o que precisa; é essa a dificuldade, ainda mais em pediatria. Então, existe uma flexibilização, pensando no diagnóstico, no momento da criança, na interferência familiar. Seguimos ao pé da letra o que a literatura, a pesquisa dizem, mas tentamos flexibilizar até onde se pode”, explica Nádia Gruezo. Ela recorda o caso de criança em cuidados paliativos que tinha grande saudade da comida da mãe e de uma criança indígena que não aceitava pão no café da manhã: “Ele come mandioca e somos super a favor de dar a mandioca para ele! Quem faz esses ajustes é a nutricionista clínica, então é totalmente viável”.
Quando a criança recebe alta ou quando seu atendimento não passa pela internação, a equipe também se preocupa em conciliar suas preferências às necessidades alimentares: pais e filhos participam da Oficina Prática de Educação Nutricional (Open), conduzida pelos nutricionistas do Hospital. Os profissionais apresentam receitas saudáveis e adaptadas, como um refrigerante feito de suco e água gaseificada e um bolo feito do bagaço da tangerina.

Atendida no Hospital da Criança de Brasília há um ano, Lara da Silva (foto acima), 11 anos, aprendeu as restrições alimentares que precisa seguir. A mãe da menina, Wanessa da Silva, conta que a filha “come peito de frango, arroz, batata, ovo… Durante 45 dias, faz essa dieta. Branca. Depois, vai liberando aos poucos, de acordo com o que vai melhorando”. A menina admite que se cansa um pouco, mas segue as orientações e já aprendeu até a preparar alguns alimentos. “Tem coisas que faz melhor que eu. O omelete da Lara é maravilhoso!”, conta Wanessa.
Durante os 11 anos de funcionamento do HCB, outras crianças também foram estimuladas pelo papel educativo da equipe de nutrição. Em 2021, os profissionais acompanharam o adolescente Marcos Vinícius Magalhães (foto abaixo), então com 16 anos, em uma visita à cozinha do Hospital.

O envolvimento das crianças e adolescentes com o preparo de sua própria dieta mostra o impacto dos nutricionistas não só no momento em que o paciente está em atendimento, mas também nas escolhas saudáveis que aprende a fazer. “Se você trata as deficiências da criança, vai ter um adulto mais saudável, com qualidade de vida e com menos risco de doenças crônicas. Então, quando a gente fala de prevenção olhando para uma criança com doença aguda, também tem que pensar lá na frente”, afirma a gerente de Nutrição, Nádia Gruezo.
Texto: Maria Clara Oliveira