HCB investiga DNA para tratar leucemias.

 

 

Os pacientes do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) agora contam com mais tecnologia para o diagnóstico e tratamento das leucemias: a realização de exames que detectem a doença a nível molecular. Para isso, foi necessário montar, durante um ano, um laboratório especializado com equipamentos geralmente utilizados apenas em pesquisas científicas.

Com o laboratório de biologia molecular, é possível realizar um diagnóstico mais refinado e determinar o prognóstico dos pacientes portadores de leucemias com mais precisão. Além disso, também é possível monitorar, com maior sensibilidade, o resultado dos tratamentos. Os equipamentos verificam a existência de translocações cromossômicas – alterações no código genético (DNA) que estão relacionadas à doença. Para isso, analisa-se uma amostra da medula óssea do paciente, coletada em um procedimento cirúrgico simples.

Somente o HCB faz esse tipo de exame pela rede pública de saúde no Distrito Federal. “É uma tecnologia de ponta que é oferecida para os pacientes do Hospital”, afirma o onco-hematologista responsável pelo laboratório de biologia molecular, Luís Sakamoto. Em dois meses de funcionamento, o laboratório já analisou 47 amostras, e vários pacientes tiveram o tratamento modificado graças aos resultados obtidos com a técnica. Desse modo, aumentam-se as chances de sucesso do tratamento. Sem o exame, “o que pode acontecer é o paciente ser tratado com esquemas de quimioterapia não ideais para o tipo de alteração molecular e, por conta disso, ter a chance de cura reduzida”, enfatiza Sakamoto.

Segundo o médico, o exame é realizado quando o paciente chega ao hospital, e repetido ao longo do tratamento. “É inaceitável tratar uma criança com leucemia sem ter a pesquisa molecular para essas translocações, porque já se demonstrou cientificamente a importância dessas alterações na determinação do prognóstico nessa doença”, explica.

Parte dos equipamentos utilizados no exame foi comprada com o dinheiro arrecadado pela campanha McDia Feliz de 2013 e com recursos da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). O laboratório aguarda o recebimento de um sequenciador automático de ácidos nucleicos, também adquirido com recursos da campanha. O novo equipamento permitirá a detecção de mutações relacionadas a outros tipos de câncer, bem como outras doenças benignas, tais como fibrose cística, talassemias e doença falciforme.

Por enquanto, os exames realizados no laboratório molecular estão direcionados a apenas uma doença. “Nosso objetivo, pelo menos por enquanto, é detectar algumas alterações que acontecem basicamente nos pacientes com leucemia”, explica Sakamoto. Num futuro próximo, porém, espera-se estender o uso dessa tecnologia para outras áreas e ampliar o tratamento de mais crianças e adolescentes atendidos no HCB.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Edição e foto: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke