Uma nova bailarina

29/12/2016

Na segunda-feira (19/12/16), Laurena Rocha chegou ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) como se viesse para uma consulta normal, mas teve uma surpresa: depois de assistir a uma apresentação de dança clássica, a menina de dois anos ganhou saias e um par de sapatilhas de balé.

A ideia do espetáculo (que fez parte da programação de fim de ano do HCB) foi da pneumologista Luciana Monte, que encontrou Laurena durante um plantão no Hospital de Base. “Ela estava internada, com muita falta de ar, chorando, sem aceitar o oxigênio”, conta a médica, que acalmou a menina mostrando vídeos de balé e ensinando alguns passos – a própria pneumologista faz aulas de dança clássica na academia Ballet Norma Lillia.

Como o equipamento de oxigênio precisaria ficar preso a Laurena (foto acima), Monte decidiu criar uma personagem. “Combinei que ela seria a Bailarina Elefante, porque o oxigênio parece uma tromba, e ela disse que eu seria a Bailarina Pinguim”, explica. A partir disso, a menina aceitou o aparelho e passou a praticar, na enfermaria, os passos que aprendeu.

Para atender ao desejo de Laurena de conhecer “uma bailarina de verdade”, Luciana Monte (foto abaixo) convidou suas colegas de balé para a apresentação no HCB. Atenta a cada momento da dança, a menina nem se recostava na cadeira – acompanhava o ritmo de cada música balançando os pés, da forma como aprendeu com a médica. Na hora de receber o presente, não segurou o sorriso e foi ajudada pelas bailarinas a vestir a saia cor de rosa e calçar as sapatilhas. A quem perguntava se ela tinha gostado da surpresa, logo respondia que sim, acenando timidamente.

A seu lado, Elizabete Santana, amiga da família, filmava cada momento da tarde: “A mãe dela daria tudo para estar aqui hoje. Esse espetáculo com certeza ajuda, é uma terapia das melhores”. Ela acompanhou Laurena porque a mãe da menina teve outro filho há poucos dias.

Norma Lillia, dona da academia, acredita que o balé “ajuda na autoestima, na recuperação e no tratamento, que às vezes tem momentos doloridos que podem ser amenizados pela dança”.

A pneumologista concorda que apresentações culturais são uma forma de deixar o tratamento mais leve para as crianças. “Elas são submetidas a muitos procedimentos dolorosos; se não tiver o lúdico – música, balé, seja o que for –, fica muito pesado”, afirma. Acostumada a cuidar dos pacientes com seu conhecimento médico, porém, ela se emocionou ao colaborar com o tratamento usando seu talento artístico. “Eu estimulo algumas crianças a ir para o balé, mas nunca aconteceu nada como isso. O balé foi, realmente, a única coisa que acalmou ela, fez ela sorrir, fez ela parar de chorar e colocar o oxigênio”.

Sem sinal de lágrimas, a nova bailarina terminou a tarde com suas sapatilhas brilhantes, acompanhada pelas dançarinas e por outras crianças, ensaiando as posições de balé clássico que já sabe.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Fotos: Luís Felgueira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke