Um “dia roxo” pela epilepsia

29/03/2019

Para a neurologia, o dia 26 de março é uma data especial: o Purple Day (dia roxo, em inglês), dia mundial de conscientização da epilepsia. Para dar destaque à data, crianças e adolescentes com a doença receberam flores roxas no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). “O impacto que se busca nesse dia é o esclarecimento; essa é a principal doença crônica na neurologia pediátrica, mas muitas pessoas não a conhecem”, afirma Renata Brasileiro, neuropediatra do HCB.

Neste dia, ações referentes à epilepsia são realizadas no mundo inteiro. Para Suzete Leme, também neuropediatra do HCB, o Purple Day ajuda a quebrar estigmas: “No passado, muita gente escondia a epilepsia, se isolava; as pessoas pensavam que era uma doença contagiosa ou causada por algo espiritual. Hoje, explicamos que é uma doença tratável, tem exames e medicamentos”.

Segundo as médicas, a epilepsia não tem uma causa específica: pode ser desencadeada por traumatismos, questões genéticas ou Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), entre outros fatores. O diagnóstico é feito a partir da história clínica e de exames neurológicos, mas a família pode ajudar: “A possibilidade de fazer vídeos facilita bastante, porque os pais podem mostrar a própria crise para o médico”, diz Leme. Já o tratamento é variado – a medicação a ser utilizada depende de fatores como a faixa etária do paciente e o tipo de crise que ele tem.

Thayssa Brandão (foto no alto do texto), 15 anos, foi diagnosticada aos 13. “Ela teve um AVC há três anos, porque já nasceu com uma artéria comprometida; depois do AVC, veio a epilepsia”, conta sua mãe, Leila Brandão. Ela diz que a filha se envolve no próprio tratamento e “tem uma lista com os remédios na porta da geladeira, para não se esquecer de tomar”. Thayssa concorda: “Tomo vários remédios e faço muitos exames, mas isso é muito tranquilo e eu gosto dos médicos”.

Satisfeita com a atenção que a filha recebe no HCB, Leila relata dificuldades em encontrar apoio em outros lugares. “As crises epiléticas da Thayssa estão menores, mas é difícil encontrar pessoas preparadas para quando ela passa mal. Ela frequentava a escola regular, mas lá não tinham monitores para dar apoio”, diz.

Brasileiro acredita que campanhas como o Purple Day, além de aumentarem o conhecimento sobre a doença, contribuem para o acolhimento e a qualidade de vida dos pacientes. “O que a gente quer é sensibilizar as pessoas que recebem as crianças com epilepsia e que convivem com elas, conversar para que saibam o que fazer em casos de crise”, explica.

 

Texto e foto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke