Três anos de sangue bom

17/11/2014

Todo mês, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) realiza entre 220 e 240 transfusões de sangue em pacientes com doença falciforme ou talassemia, que precisam receber hemoderivados regularmente, e outras doenças. Para que o tratamento seja possível, o HCB conta com as doações feitas à Fundação Hemocentro de Brasília. É pensando nesses e em outros pacientes que, dos dias 18 a 25 de novembro, os funcionários, familiares, amigos e voluntários vão ao Hemocentro doar sangue. É para dar o exemplo de que a doação de sangue deve ser um hábito de todos e para comemorar os três anos do Hospital.

Uma dos pacientes que depende das doações é Milena Neves, 11 anos, que recebe sangue a cada 28 dias. As transfusões começaram quando a garota tinha três anos de idade, por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que aconteceu como consequência da doença falciforme. “Eu estava brincando com minha boneca e não conseguia falar direito; meus lábios estavam dormentes e minha língua estava enrolando”, ela conta.

Milena acha interessante receber sangue de outra pessoa, e diz que agradeceria se encontrasse alguém que já doou: “Eu ia dizer ‘obrigada’, porque ela está ajudando a salvar minha vida”. O irmão de Milena, Gilberto Neves, 18 anos, também tem doença falciforme e passa por transfusões desde os nove meses.

A mãe de Gilberto e Milena, Lucinei Neves, conta que a menina mudou bastante desde que começou a fazer transfusões: “antes, ela não conseguia subir escada, sentia cansaço; eu carregava ela no colo”. Hoje, é consenso entre Lucinei e a equipe de saúde que Milena é uma criança ativa e animada.

Luiz Davi Carvalho (foto acima), 14 anos, faz transfusões a cada 21 dias no HCB. O adolescente também se sente grato pelo sangue que recebe: “Fico feliz pela pessoa ter doado, é muita coragem para doar”.

Para que os pacientes sigam recebendo transfusões regularmente, é preciso que mais pessoas doem sangue. Lucinei afirma que a doação salva vidas: “dá alegria por mais um mês para os meus filhos; tudo o que a gente tem, a gente deve a essas pessoas que doam sangue para eles”.

Vários funcionários já aderiram à campanha do HCB. A enfermeira Glória Alcântara (foto acima) garante: "É muito satisfatório saber que, com um simples gesto, a gente pode ajudar uma criança".

Grupos sanguíneos específicos

É comum achar que o sangue humano se classifica apenas quanto aos tipos A, B, AB ou O e quanto ao fator RH (positivo ou negativo). Para pacientes que necessitem de transfusões regulares, é preciso verificar uma série de proteínas presentes nos glóbulos vermelhos de cada pessoa, para não correr o risco do paciente formar anticorpos que gerem complicações.

“Toda vez que o paciente recebe uma proteína que ele não tem, pode desenvolver um anticorpo contra”, explica a hematologista do Hemocentro e coordenadora do Comitê Técnico de Hemoglobinopatias Hereditárias (CTHH), Franciele Amaral. O tipo de sangue mais indicado para cada paciente, especificando cada proteína, é chamado sangue fenotipado.

Franciele esclarece que o sangue fenotipado não é necessário em transfusões emergenciais – apenas em casos onde o receptor foi diagnosticado com uma hemoglobinopatia hereditária. “Só pelo fato de ter anemia falciforme, o risco do paciente formar anticorpo a cada bolsa que ele recebe é de 20% a 40%. É a mesma coisa para talassemia, o risco é cerca de 10% a cada unidade de bolsa”.

As pessoas que quiserem participar da campanha pode se dirigir ao Hemocentro e ao preencher a ficha de cadastro, informar que a doação é para o Hospital da Criança de Brasília.

 

Fundação Hemocentro de Brasília

Endereço: Setor Médico Hospitalar Norte  Qd. 03 Conj. A, Bl. 03
Horário segunda a sexta-feira de 7h às 18h e sábado de 8h às 12h
Outras informações: www.fhb.df.gov.br

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira
Arte: Juceli Cavalcante
Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke