O trompete de Isabel

31/10/2016

Ana Isabel Costa (foto acima), 12 anos, é paciente do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e faz sessões de musicoterapia há cerca de dois anos. Ao longo do tratamento, ela mostrou seu gosto pela música: “Toco piano, desde que comecei a musicoterapia, e trompete, que aprendo na escola”. Fã de música sertaneja e canções internacionais e apaixonada pelo trompete, a menina não podia praticar fora das aulas – o único instrumento musical da casa é o violão tocado pela mãe.

A história de Ana Isabel ultrapassou o HCB e chegou à Banda de Música do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. O segundo sargento Ferreira, que toca o mesmo instrumento que a menina, se dispôs a procurar um trompete para doar. “O que mais me tocou foi saber que a menina gosta do mesmo instrumento que eu”, disse. Ele ainda explicou que, “no caso de violão, guitarra, é uma coisa, assim, por hobby; o trompete, as pessoas começam e não querem parar”.

O presente foi entregue durante uma apresentação da banda na segunda-feira (17/10/16). Os músicos se apresentavam normalmente, quando o musicoterapeuta do HCB, Cláudio Vinícius Fialho, chamou Ana Isabel para ouvir uma música em pé, em frente à banda. Foi quando o segundo sargento apareceu, tocando o trompete que daria à menina.

Depois de receber o presente, Ana Isabel conversou com Ferreira, que deu algumas instruções sobre como cuidar do instrumento. “Foi muito legal ganhar o trompete. Já aprendi a trocar o pistão, colocar óleo e limpar o bocal”, contou.

Para o subtenente Terra (foto acima, à direita), regente da banda do Exército, a escolha do instrumento de Ana Isabel mostra que ela tem talento. “Acho que é dom. Dificilmente alguém procura trompete, é muito pesado; quando a pessoa escolhe um instrumento desse, não tem outra explicação”.

Eustáquio Costa, pai de Ana Isabel, não conteve o sorriso enquanto a filha era presenteada. “Ver ela recebendo esse presente foi uma graça. Também é uma responsabilidade para ela, espero que ela possa honrar esse dom”, afirmou. Ele também contou que, desde que começou o tratamento na musicoterapia, a filha teve pequenas mudanças de comportamento: “Ela está mais concentrada. Antes, era muito dispersa”.

O musicoterapeuta Cláudio Vinícius, que acompanha Ana Isabel, compartilha da opinião de Eustáquio. “Quando a gente começa a trabalhar a subjetividade da criança, percebe que ela fica mais concentrada, interage mais, se empodera de si mesma, fica emocionalmente mais segura”, explicou. Ele afirmou, ainda, que “a Ana Isabel encontrou uma espécie de força de organização interna própria”.

Depois da surpresa, os músicos seguiram com a apresentação no hall e em outras áreas do Hospital. Já Ana Isabel foi para casa, e já sabe qual a primeira música que vai tocar com seu trompete novo: Asa Branca, de Luiz Gonzaga.

 

Texto e fotos: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke