Setembro Dourado pelo câncer infanto-juvenil

16/09/2015

Setembro foi escolhido pela Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (Coniacc) como mês de conscientização do câncer infanto-juvenil. Com o apoio da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace) e de outras instituições do país, a Coniacc tenta dar mais visibilidade à doença com a campanha Setembro Dourado.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil tem cerca de nove mil novos casos de câncer infanto-juvenil por ano, sendo que a forma mais comum entre os pacientes atendidos pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) é a leucemia linfoide aguda. Em crianças e adolescentes de um a 19 anos, o câncer é a principal causa de mortalidade por doença – em 2011, cerca de 2.800 pacientes no país faleceram em decorrência de algum tipo de câncer.

Dá-se o nome de “câncer” ao conjunto de mais de 100 doenças em que as células se multiplicam desordenadamente, invadindo tecidos e órgãos. São doenças agressivas, principalmente quando se espalham pelas partes do corpo (metástase).

O câncer em crianças é diferente do que acomete adultos. Segundo a diretora técnica do HCB, Isis Magalhães, “ele tem que ser visto como uma doença grave, como uma doença aguda – é rápido, diferente do que se diz no câncer de adulto, que é uma doença crônica. Em crianças ela é aguda, é grave e é fatal se não for tratada a tempo”. No entanto, o câncer infanto-juvenil também é mais sensível ao tratamento e tem 80% de chances de cura.

Um fator importante para o tratamento de câncer infanto-juvenil é o diagnóstico precoce e preciso (entre as leucemias, por exemplo, é preciso fazer exames a nível molecular para determinar qual a melhor abordagem). Como não é possível prevenir a doença em crianças e adolescentes, é necessário estar atento aos sintomas que surgem. Essa observação, entretanto, pode ser complicada pela similaridade dos sinais com os de outras doenças comuns na infância: palidez, hematomas, febre ou tosse persistente podem facilmente ser confundidos com outras enfermidades.

“São sintomas muito semelhantes às outras doenças da criança e, algumas vezes, muito sutis. Então, o que a gente tem que fazer é abrir os ouvidos e prestar atenção ao que a mãe está te falando”, explica Isis. Por isso, é importante que as crianças sejam levadas ao pediatra assim que os pais observarem uma alteração preocupante, para que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível.

O tratamento do câncer é feito com quimioterapia, radioterapia, cirurgia ou transplante de medula óssea. A diretora técnica do HCB explica, porém, que é necessário um acompanhamento multidisciplinar, para evitar complicações decorrentes do próprio tratamento, já que os medicamentos usados são muito fortes. “Não adianta ter só o hematologista e o oncologista, tem que ter equipe multiprofissional”, diz Isis Magalhães. Ela exemplifica: “Na leucemia, o tumor já está na medula óssea, na fábrica do sangue. Você faz a quimioterapia para destruir as células leucêmicas na medula óssea, e as complicações infecciosas são muito grandes. Então, preciso de infectologista que esteja com a gente há vários anos; cardiologista, porque alguns remédios têm toxidade cardiológica; intensivista pediátrico, que entenda as peculiaridades da criança com câncer; neurologista; nefrologista”. Isis afirma, ainda, que o hospital “tem que ter o radiologista que está há anos fazendo imagem de criança com câncer para poder entender. O patologista, que vai dar o laudo da lâmina, também tem que ter expertise para não dar o laudo errado”.

Quanto mais rápido e preciso o diagnóstico, melhor para o tratamento da criança. Por isso, a campanha do Setembro Dourado busca explicar à população a importância de insistir em investigar a possibilidade da doença caso os sintomas durem muito tempo. Recomenda-se que os pais estejam atentos a:

  • Palidez, dor óssea e hematomas ou sangramentos pelo corpo;
  • Perda de peso sem explicação, febre e sudorese noturna;
  • Caroços ou inchaços (principalmente se não apresentarem dor nem febre), assim como outros sinais de infecção;
  • Tosse persistente ou falta de ar;
  • Dores nos membros ou inchaços sem sinal de trauma nem de infecção
  • Palidez sem explicação;
  • Alterações nos olhos, como inchaço, marcas roxas, estrabismo recente ou perda visual.

Para mais informações sobre o Setembro Dourado, veja entrevista da presidente da Abrace, Ilda Peliz, ao Bom Dia DF e matéria do DF Record sobre a campanha.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke