Aspecto psicológico no tratamento.

02/05/2014

O Primeiro Simpósio de Psicologia da Saúde do Hospital da Criança de Brasília (HCB), de tema “Prevenção de Estresse em Pediatria”, recebeu palestrante especial na manhã desta quarta-feira (30) – Stephen DiDonato. O norte-americano atua como coordenador do Centro de Estresse Traumático Pediátrico no hospital pediátrico Nemours/Alfred I. duPont,, em Wilmington no estado de Delaware, nos Estados Unidos. “Algumas vezes, cometemos o erro de prestar mais atenção na doença do que no contexto da criança”, comentou DiDonato em apresentação.

Com mais de 60 pessoas, o auditório do HCB atingiu capacidade máxima para as duas palestras “Trauma Psicológico na Infância” e “Prevenção e Intervenção Precoce do Trauma na Infância”. O psicólogo disse que, em casos pediátricos, profissionais da área de saúde não lidam somente com a criança, mas com diversos detalhes que a rodeia. “Saber se os pais ajudam ou  não no tratamento em casa, assim como crenças, estresses e outros fatores da vida do paciente são primordiais”.

O norte-americano comentou ainda que fugir do senso comum e saber se adaptar ao longo do tratamento pode ajudar a obter resultados mais efetivos. “Muitos se preocupam pela grande sensibilidade  envolvida no tratamento de crianças, principalmente em casos crônicos. Pode-se achar que é melhor omitir informações, porém a criança deve ter consciência da situação em que está. E é nosso trabalho reagir adequadamente às respostas que ela e a família apresentarão”, disse. A confiança constrói-se com transparência e é diferencial ao longo do tratamento. Senti que aqui, no HCB, é algo já bem exercido, principalmente comparado a hospitais nos Estados Unidos”, finaliza.

Para ele, o cuidado com a existência de possíveis traumas - decorrentes ou não da doença - na criança e no núcleo familiar deve ser preocupação de todos os funcionários de um hospital. “Desde a recepcionista até o médico, é importante ter carinho e segurança na abordagem.

Com bastante participação do público, as palestras tiveram muitas perguntas e comentários. A técnica de enfermagem Líbia Cabral, elogiou bastante a apresentação. “No Brasil, a assistência enfrenta algumas dificuldades ao intervir com famílias ou responsáveis. Aprendi abordagens novas que ajudarão ao lidar em casos complicados”, comenta. Já Silvia Coutinho, supervisora de psicologia do HCB, ressaltou a importância da troca de experiências. “Por sermos de países e culturas diferentes, podemos apresentar soluções e percepções diferentes a desafios mútuos que enfrentamos. É um aprendizado mútuo”, diz.