O prazer da leitura

19/02/2015

No hall do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), as crianças e adolescentes se divertem em pula-pulas, com jogos eletrônicos, com a programação de música, teatro e jogos. No entanto, há um grupo que chama a atenção: os leitores. Seja trazendo livros de casa ou conferindo os títulos à disposição nas brinquedotecas do HCB, meninos e meninas dão vida as histórias impressas em papel.

Aos 12 anos, Anna Carolina Assunção conta que não precisa de um motivo específico para ler. “Para falar a verdade, não sei; é porque eu gosto muito de ler. Leio mais como passatempo”, diz a menina. Fã da saga Crepúsculo, ela gosta de histórias de aventura, mas começou o caminho dos livros com enredos menos sobrenaturais: “Acho que meu primeiro livro foi um gibi da Turma da Mônica”, recorda.

Os personagens criados por Maurício de Sousa foram a porta de entrada que outros dois pacientes encontraram para a leitura. Kauan dos Santos, oito anos, e Lucas Rodrigues, 12, também começaram a ler os quadrinhos brasileiros para, depois, se aventurar por outros nichos literários.

Lucas mantém o gosto por gibis e é o único, entre seus amigos do colégio, a ler mangás (as histórias em quadrinhos vindas do Japão): “Eu levo meu mangá do Naruto para ler na escola; meu irmão também gosta, ele sabe desenhar o Naruto”. Lucas explica que gosta dos quadrinhos “porque tem figuras”, mas não abandona os livros – um que chamou a atenção do menino foi indicado pela escola. “Li “Tosco” (de Gilberto Mattje), sobre um menino que os pais não ligam para ele e ele vira um menino de rua, que faz o que quiser”, conta.

Já Kauan, depois que aprendeu a ler, se interessou por revistas. Em um ambulatório do HCB, enquanto folheia uma publicação sobre agricultura e pecuária, ele afirma: “Eu gosto mais é da Turma da Mônica. Mas gosto de revista de carro, também, é bem legal”. Por causa do interesse por publicações automobilísticas, ele aprende coisas novas: “eu entendo um pouquinho das rodas, um pouquinho do motor e entendo um pouquinho do design”, garante.

Na escola, Kauan está acostumado a ouvir a professora ler os livros escolhidos pelos alunos: “Eu escolhi um do dinossauro. Era um dinossauro que perdeu a mãe e estava atrás dela, fazendo uma viagem muito longa; achei legal”. Não são todos os livros, porém, que agradam ao garoto. “Teve um de um mágico que eu achei meio estranho; eu estava no segundo ano”, explica. “Era um mágico que fingia que era pobre; ele enganou um menino para pegar um tesouro. No final das contas, o menino ficou lá, ele pegou o tesouro, depois o menino saiu, ele foi atrás dele e pegou. Achei um pouco estranho”, opina Kauan. Sem se abalar por uma história de que não gostou, ele segue firme na leitura no HCB: “Quando venho aqui eu brinco, pinto e leio!”.

 

Texto e Fotos: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke