Manhã de festa

19/08/2015

Os pacientes do grupo de diabetes do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) se reuniram na casa de festas Megamundo na sexta-feira (14/08/15), para uma manhã de confraternização. As crianças se divertiram em brinquedos como carrossel, escorregador e tirolesa, além de serem visitados por personagens do desenho infantil Frozen.

Caio Medeiros (foto acima), quatro anos, gostou de brincar na piscina de bolinhas. Sua mãe, Joseane Medeiros, conta que uma mudança na animação do filho foi o alerta de que havia algo errado e levou ao diagnóstico. “Ele é um menino muito ativo, não sossega, é assim o tempo inteiro. Aí ele ficou quietinho demais, muito paradinho, perdeu peso muito rápido em questão de uma semana, estava bebendo muita água e fazendo muito xixi”, explica Joseane. Ela levou Caio ao Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), que o encaminhou ao HCB.

Kelly Torres (foto acima), um ano, também foi diagnosticada cedo. A família da menina não desconfiava de diabetes quando a levou ao médico: “A gente pensava que era outra coisa, que era dente; foi assustador. Ela já chegou com a glicemia muito alta”, conta o pai, Rogério Torres. Ele explica que, agora, todos já se habituaram ao tratamento: “ela está com uma bombinha de insulina, facilitou muito a nossa vida. A bomba já tem insulina dentro dela; a gente mede a glicemia, vê quanto está, digita na bomba e já libera o tanto de insulina para ela. Não tem que ficar furando”.

Quem não tem a bomba de insulina de Kelly usa o método mais conhecido para medir a taxa glicêmica, o monitor de glicemia (chamado de “caneta” pelos pacientes). É o caso de Ana Júlia Oliveira, nove anos. “Eu posso comer quando está baixa; eu posso comer doce, que eu preciso para aumentar a glicose. E quando estiver alta, é só tomar insulina, mesmo”, explica a garota, que garante não precisar de ajuda para aplicar o hormônio: “Eu mesma coloco, sei fazer sozinha”.

A caminho da casa de festas, as crianças fizeram um pequeno passeio pela Praça dos Três Poderes, conduzido por guias turísticos cedidos pelo Sindicato dos Guias de Turismo do Distrito Federal (SINDGTURDF). Rosa Fernandes, uma das guias, conta que precisou encontrar uma linguagem que alcançasse todos os participantes: “Tinha gente de todas as idades: crianças pequenas, adolescentes, avós, pais”. Durante o passeio, ela ficou feliz pelo envolvimento dos usuários do HCB: “Alguns avós que viveram a história de Brasília me cumprimentaram, e as crianças não davam um pio: estavam todas concentradas para aprender mais”.

Quando chegaram à festa, crianças e seus acompanhantes foram recebidos com um buffet especial e o apoio voluntário dos monitores da Megamundo. Bruna Tomásio, uma das donas da casa de festas, afirma que o evento “foi maravilhoso, tanto para mim quanto para os funcionários. Temos uma equipe grande e muitos quiseram participar, precisamos fazer uma seleção. Essa atividade voluntária une a equipe, dá a oportunidade de ajudar o próximo”. Ao final, todos puderam conhecer os personagens do filme Frozen (interpretados, na festa, por atores da Caixa Cênica Produção e Eventos).

A diabetes é uma doença em que o organismo não produz o hormônio insulina, ou não consegue utilizá-lo adequadamente. O HCB atende 397 crianças e adolescentes diagnosticados com o tipo 1 da doença. Esses pacientes precisam monitorar sua taxa glicêmica e realizam, no mínimo, quatro aplicações de insulina por dia. A enfermeira Ednéia Osório, do grupo de diabetes do Hospital, explica que esse evento, reunindo os pacientes e seus pais fora do hospital, faz com que as crianças “se esqueçam da doença por um dia e tenham um momento de descontração juntas”.

 

Texto e Fotos: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke