Limpeza dos brinquedos

07/05/2015


É comum, em hospitais voltados para o público infantil, a presença de alguma área para as crianças brincarem. No Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), os pacientes de cinco a 12 anos podem se divertir nas duas brinquedotecas do hospital.

Cada um dos dois espaços tem brinquedos como bonecos, carrinhos e outros. Como o hospital recebe crianças com variados tipos de doenças, é importante que os brinquedos sejam diariamente higienizados com álcool e hipoclorito de sódio, para que não haja risco de infecção.

Alguns brinquedos não são aceitos na brinquedoteca devido ao seu material, como os de pelúcia e madeira e os jogos de papel, por serem considerados não higienizáveis. Os de madeira e papel, entretanto, caso sejam revestidos com outro material, como o plástico, podem ser utilizados pelas crianças. Brinquedos de tecido, apesar de também serem não higienizáveis, são uma exceção, desde que sejam tomados cuidados extras.

Os pacientes que ficam internados no Hospital também podem usar brinquedos em seus quartos. Nesses casos, o processo de higienização é um pouco diferente. A enfermeira Eny Fernanda Santos, do Serviço de Controle de Infecção do HCB, explica que se trata de “um paciente mais crítico, que tem mais procedimentos invasivos – tem cateter, por exemplo. Então o risco de transmissão de bactérias entre os pacientes é maior”. Por essa razão, cada um pode usar somente um brinquedo por dia.


Apenas uma pessoa da equipe de higienização do HCB é responsável pela limpeza dos brinquedos da internação. Adriana Pereira é a encarregada dessa função e, apesar de higienizar tantos brinquedos, ela não acha uma tarefa muito difícil, mas essencial. “Vale a pena e é muito importante, porque como as crianças têm uma imunidade mais baixa, elas podem ficar doentes com mais facilidade”, pontua.

De acordo com Eny, o cuidado é dobrado, devido à vulnerabilidade dos pacientes. Além da higienização, é feito um exame com um instrumento chamado suabe, que se parece com um cotonete. A responsável pela limpeza percorre toda a superfície do brinquedo com esse instrumento, para identificar se alguma bactéria ou microrganismo estão se desenvolvendo.

Eny conta que a decisão de deixar somente uma pessoa responsável pela internação é melhor para o monitoramento do processo. “Tem que haver uma cobrança maior e a funcionária é orientada a sempre fazer de forma correta. Como é só uma pessoa, é mais fácil porque nós sabemos a quem recorrer”, ressalta a enfermeira.

Já nas brinquedotecas, outros membros da equipe de higienização limpam os brinquedos. Além disso, voluntários e brinquedistas conversam com os pais e as crianças sobre a importância da higienização, tanto dos brinquedos quanto das mãos. São feitas três higienizações por dia (pela manhã, no horário do almoço e no final da tarde/início da noite) e uma no final de toda semana.

Apesar do material não ser recomendável, o HCB tem alguns brinquedos de tecido: kits de cama e mesa doados à brinquedoteca do hospital. Como esses kits demandam mais rigor na limpeza, os funcionários da lavanderia do HCB auxiliam na higienização, fazendo pelo menos uma limpeza por semana. Os brinquedos são lençóis e toalhas para bonecos, que foram disponibilizados depois de um apelo dos pacientes, que reclamavam que muitas bonecas ficavam sem roupa. “Elas vieram para criar um ambiente mais lúdico para as crianças. A gente tenta trazer mais conforto, um ambiente mais gostoso. Mas nem tudo pode entrar”, diz Eny.

A enfermeira complementa dizendo que algumas crianças com doença ativa, como gripe, são orientadas a não entrar nas brinquedotecas. “Uma criança gripada que está em contato com um brinquedo acaba deixando secreção. Não que a gente queria excluir o paciente do convívio com as outras crianças, mas é uma precaução a mais”, explica Eny.

Alguns pacientes gostam de trazer seus próprios brinquedos, porém não é permitido que eles os utilizem nas brinquedotecas. Eny fala que “a orientação é não levar. Outras crianças também vão querer manipular, e ele pode sumir; nós não temos como nos responsabilizar”.

Manter a limpeza do hospital em geral é muito importante, tanto para pacientes como funcionários, já que se trata de um ambiente propício à transmissão de microrganismos. O HCB, em especial, tem um público diferenciado. O hospital recebe pacientes com várias patologias diferentes e que estão com o sistema imunológico enfraquecido.

De acordo com Eny, “o ambiente que tem crianças é uma preocupação maior. Elas rolam no chão, colocam o brinquedo na boca”. A enfermeira reforça que “precisamos dar segurança a esses pacientes sem isolá-los; fazer com que eles tenham um convívio com outras crianças. Então, nós temos que fazer essa limpeza constante”.

 

Texto: Augusto Almeida
Fotos: Augusto Almeida e Maria Clara Oliveira

Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke