Laboratório do HCB vai detectar doença residual.

01/08/2013

 

O oncologista pediátrico do HCB Luis Sakamoto apresenta nessa entrevista os benefícios que os  equipamentos que serão comprados com recursos do McDia Feliz podem trazer para o tratamento do câncer em crianças e adolescentes.

HCB -  A renda arrecadada esse ano pelo McDia Feliz será destinada ao quê?

Sakamoto - Esse ano o HCB junto com a Abrace conseguiu aprovar dois projetos. Um é para a compra de veículos para o transporte da Casa de Apoio para o Hospital e vice-versa, um suporte que vai ser realmente muito útil para nossa instituição. O outro projeto é o laboratório de doença residual mínima. Basicamente, o projeto visa a compra de equipamentos para a implantação de técnicas de biologia molecular com o objetivo de se detectar níveis muito baixos de células cancerígenas. À título de curiosidade, a sensibilidade desses métodos chega a ser 10 mil vezes maior do que os obtidos com técnicas convencionais.

HCB - O que isso pode mudar na vida das crianças e adolescentes em tratamento?

Sakamoto - Fazer a pesquisa de doença residual mínima vai nos permitir saber logo no inicio do tratamento se determinado paciente precisa de mais ou menos tratamento com base no nível de resposta inicial à quimioterapia. Através da técnica molecular conseguimos fazer isso de forma muito refinada e, com isso, há um aumento da capacidade de se acompanhar a evolução da doença. Além disso, pacientes com risco aumentado de recaída ou que foram submetidos a transplante de medula óssea também podem ser acompanhados por essa técnica. Esse tipo de exame nos permitirá diagnosticar uma recaída ou uma falha de tratamento com uma maior antecedência, o que pode influenciar na troca ou reintrodução de um esquema quimioterápico. Dessa forma, o que teremos com essa técnica é um aumento da capacidade de detecção de doença e um aumento da capacidade de definir as chances de cura do paciente.

HCB -  Quais as taxas de sucesso de tratamento das crianças no HCB?

Sakamoto - Cada tipo de câncer tem uma expectativa de cura, mas a média gira entre 60 e 70%.

HCB - Uma vez com os recursos em mãos, em quanto tempo esses exames podem ser oferecidos pelo HCB?

Sakamoto - Dependemos de várias outras demandas, a ideia é conseguir montar esse novo laboratório, a partir do momento da liberação da verba, em um ano.

HCB -   Quais os sintomas que podem indicar um câncer infantil? Como os pais podem desconfiar?

Sakamoto - Depende do tipo de câncer, cada tipo de câncer tem um tipo específico de sintomas. O que podemos indicar como sintomas das leucemias, que são o tipo de câncer mais comum da infância, são a palidez, febre de origem desconhecida, dores ósseas e manchas na pele. No entanto, é importante lembrar que esses são sintomas característicos apenas das leucemias. Existem vários outros tipos de câncer com sintomas diversos e até mesmo silenciosos. É difícil inclusive para um pediatra geral suspeitar de câncer. Existem estudos que mostram que um pediatra de emergência diagnostica apenas 1 caso a cada 10 anos. O que tem que existir no serviço de saúde local é um centro de referência, como é o nosso HCB. Quando ocorre a suspeita de câncer essa criança precisa ser encaminhada para o centro de referência para ser investigada e confirmado o diagnóstico.

HCB - Qual o tratamento que o Hospital da Criança de Brasília oferece para o tratamento do câncer infantil?

Sakamoto - Cada tipo de câncer tem um tipo de tratamento. O de leucemia e linfoma é basicamente feito com quimioterapia. Para outros tipos de câncer, quando é necessária, a radioterapia pode ser realizada ou no Hospital de Base ou no Hospital Universitário de Brasília. O tratamento cirúrgico é realizado basicamente no Hospital de Base e Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Para procedimentos cirúrgicos de baixa complexidade temos utilizado nosso próprio centro cirúrgico aqui no HCB. No entanto, procedimentos de maior complexidade ou gravidade não podem ser realizados aqui devido a falta de suporte de UTI. O tratamento que oferecemos é o clássico. Para leucemias e linfomas, por exemplo, aplicamos a mesma sequência de tratamento que é realizada no mundo todo. Algumas drogas ou doses podem variar a depender de cada instituição ou país, mas o princípio de tratamento é basicamente o mesmo.

HCB -  Qual a diferença do tratamento da criança comparado ao que é oferecido para o adulto?

Sakamoto - É completamente diferente. O adulto tem muito mais tumores sólidos, a criança tem mais leucemia e linfoma. O adulto tolera bem menos quimioterapia do que a criança. Os tumores da infância são mais sensíveis à quimioterapia do que os tumores dos adultos, por isso o tratamento do câncer infantil é mais baseado em quimioterapia quando comparado ao do adulto.