Geração 2.0

06/10/2016

 

Há algum tempo, o passatempo favorito das crianças era ir para a rua com os amigos e participar de brincadeiras como pique-pega e queimada. Essa realidade, porém, já não é mesma. Atualmente, o grande entretenimento é o celular.

Andando pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), é comum ver crianças com o aparelho nas mãos. A maioria prefere jogar. Um exemplo é Tauan Nunes (foto acima), 12 anos. O garoto se diverte com vários jogos, mas sabe que não pode exagerar. “Tem o tempo certo para jogar. Geralmente, eu jogo quando termino os deveres da escola”, afirma.

De qualquer forma, sua mãe, Maria do Carmo, o educa para evitar que ele fique muitas horas vidrado no celular: “Tem que saber regrar. Se deixar, eles ficam o dia inteiro fazendo isso”. Ela também conta que só não deixa o filho jogar um jogo: Pokémon Go, a sensação do ano. “Tem muita gente sendo assaltada por causa desse jogo, ou sofrendo acidentes. Um sobrinho meu já teve o celular roubado por estar caçando Pokémons”, explica.

Outra mãe cuidadosa é Adriana dos Santos. Seus filhos Renato Cavalcante (acima, à direita), nove anos, e Gabriel Cavalcante (acima, à esquerda), quatro anos, também adoram os joguinhos eletrônicos. Porém, assim como Tauan, eles só podem jogar depois dos estudos. “Quando eu vejo que eles fizeram todas as tarefas, eu deixo eles se divertirem”, diz. Mas ela acabou pegando a mania dos meninos e se diverte com os dois. Gabriel, aliás, garante que a mãe joga bem: “Eu sou muito bom, mas nunca ganhei dela”.

Além dos jogos, as crianças gostam de fotografar. Que o diga Thallys Ribeiro (foto abaixo), dois anos. O garoto tira fotos de tudo o que vê pela frente, mas diante das câmeras é tímido – nem quis se aproximar da câmera da reportagem. “Ele prefere fotografar a ser fotografado. Em casa, sempre me chama para tirar foto de alguma coisa”, diz o pai, Antônio das Neves, enquanto faz um registro do menino no trenzinho do Hospital.

A supervisora de reabilitação do HCB, Patrícia Pinheiro, vê lados bons e ruins no uso de celulares. Para ela, o excesso gera prejuízos. “As crianças mantêm a cabeça curvada por muito tempo, o que afeta a estrutura de coluna. O crescimento ósseo e articular dessas crianças vai ser moldado de uma forma diferente. Outro problema é a diminuição da atividade física. O alongamento muscular fica debilitado, a força muscular diminui. Isso tudo vai refletir lá na frente”, alerta.

Porém, ela acredita que os aparatos tecnológicos são importantes para pacientes que fazem fisioterapia. “Quando falamos de celular, não podemos apenas criticar. Para os nossos pacientes, os celulares são ótimos. Muitos tinham um comprometimento motor, e hoje já conseguem brincar com alguns jogos mais simples, só batendo na tela. Foi uma porta que se abriu para as nossas crianças”, ressalta.

 

Texto e fotos: Augusto Almeida
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke