Saúde na mesa

07/11/2013

“O importante é me sentir bem comigo mesma” - esse é o pensamento da Ana Beatriz, 11 anos, participante do Grupo de Obesidade do HCB. Ana não é obesa, mas está acima do peso e vinha ganhando-o com frequência. Desde que entrou no grupo, que acontece todas as sextas-feiras para faixas etárias diferentes, ela o manteve, aprendeu receitas saudáveis e está reeducando a sua alimentação.

Algumas foram indicadas para a prevenção de ganho de peso. O Grupo é dividido por faixa etária - desde três anos de idade até 18. Para a iniciativa dar certo, três profissionais acompanham as crianças: uma psicóloga, uma nutricionista e uma endocrinologista. “A intenção é conscientizar os pais também, a criança não vai ao supermercado sozinha. Os pais que compram os alimentos, por isso a equipe multidisciplinar é fundamental”, conta a nutricionista Elaine Alves.

As reuniões que acontecem no período da tarde, duram cerca de duas horas e são divididas em duas etapas. A primeira inclui a presença dos pais e é teórica, com palestras explicativas. A segunda é sempre uma atividade lúdica com as crianças, de jogos a teatrinhos. “Eu aprendi a comer um brigadeiro só ao invés de três. Eles vão ter sempre o mesmo gosto”, contou Maria Eduarda, 10 anos. Ela disse também que sempre ensina para os amigos e primos o que aprende no HCB.


Apesar do nome, nem todos os integrantes do grupo são obesos, e sim crianças que foram encaminhadas pela equipe médica do Hospital. Algumas apresentaram ganho de peso recorrente, outras não podem engordar por motivos de saúde. Rúbia Cristina acompanha a filha Beatriz, 11 anos, e conta que a ajuda psicológica é o diferencial e faz com que o aprendizado dê certo. “Aqui, eles mudam o nosso comportamento e o jeito de pensar. A mudança tem que ser de dentro para fora”, elogia.

A psicóloga do HCB, Priscila Dias, conta que o aumento de peso, na maioria das vezes, está relacionado ao psicológico.  “A criança pode estar descontando o divórcio dos pais ou o bullying da escola na comida. Aqui nós podemos ajudá-la”. Ela conta também que as crianças aprendem muito rápido e acabam cobrando dos pais, o que muda a atitude familiar. “Ensinamos uma reeducação alimentar para a família inteira”.