Falhas no diagnóstico

19/11/2013

Formada em Engenharia Civil, mestre em saúde pública e adjunta da diretoria de coordenação, articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e palestrante sobre princípios e diretrizes da segurança do paciente, no HCB, Patrícia Ferraz concedeu uma breve entrevista ao Hospital da Criança de Brasília.

Patrícia falou sobre alguns detalhes do Programa Nacional de Segurança do Paciente e quais os objetivos e expectativas de sua implementação em nível nacional. Ela também comentou sobre os principais eventos adversos hospitalares do Brasil e destacou, na área da pediatria, falhas no diagnóstico. Para saber mais, leia abaixo.

1- Qual é o objetivo da criação do Programa Nacional de Segurança do Paciente?

Patrícia Ferraz: O programa Nacional de Segurança do Paciente tem o objetivo de instituir uma cultura de segurança do paciente nos serviços de saúde. A ideia é que minimize ao máximo riscos ou eventos adversos que possam acontecer e são evitáveis. Temos um objetivo muito amplo porque pegamos todos os serviços hospitalares e ambulatoriais do país, já que essa é uma necessidade da sociedade. Assim poderemos instituir processos com mais qualidade, visando a segurança do paciente e evitando assim esses danos.

2- Qual a expectativa dos órgãos reguladores sobre a implementação das seis ações preventivas de segurança do paciente nos hospitais? Existe um limite para todos estarem normatizados?

Patrícia Ferraz: Existe uma previsão dada pela Resolução de Diretoria Colegiada 36, que é uma norma da Anvisa. Ela prevê 120 dias para que os Núcleos de Segurança do Paciente estejam instituídos nos serviços e 180 dias para que as notificações sejam iniciadas – contando da publicação (25/07). Porém, terá uma re-publicação dessa portaria. A gente dará mais 3 meses por necessidade e solicitação dos gestores de saúde. Mas o sistema de notificação está quase finalizado, e será o mesmo do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (Notivisa), somente com algumas alterações.

Apesar da RDC, estamos estimulando que os núcleos sejam criados independente do prazo da Resolução. Assim como aconteceu no Hospital da Criança, no Hospital de Base e outros daqui de Brasília. Ficamos muito felizes com esse tipo de atitude dos serviços hospitalares.

3- O Brasil é um dos países que compõem a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. Como o país está, em termos gerais, perante outros na área da saúde?

Patrícia Ferraz: Não há um ranking mundial sobre segurança do paciente. Sabemos por pesquisas que o evento adverso hospitalar mais frequente no Brasil é a infecção associada ao cuidado em saúde (IACS) , similar aos outros países da América Latina.

 4- A segurança do paciente aborda seis passos básicos. Em qual o Brasil precisa evoluir mais? Porque?

Patrícia Ferraz: Cada um dos protocolos tem sua especificidade. As infecções associadas ao cuidado em saúde são os  eventos adversos mais frequentes, e a principal solução (higienização das mãos) é conhecida pelos profissionais de saúde. Os eventos adversos vinculados à não aplicação da lista de verificação da cirurgia segura são mais dramáticos e têm impacto na opinião pública.

Os incidentes com medicamentos também são comuns e de diversos tipos, além de dependerem também de uma identificação correta dos pacientes. Quedas e úlceras por pressão estão vinculadas a um corpo de enfermagem bem capacitado e em número suficiente. Em todos os seis podemos ter progressos consideráveis.

5- A segurança do paciente infantil é diferente em relação a do convencional? Em quais aspectos?

Patrícia Ferraz: Sim. A maioria de eventos adversos evitáveis em pediatria é relacionado ao nascimento e em segundo lugar a falhas no diagnóstico. No adulto, os eventos mais comuns estão relacionados a cirurgia e em segundo lugar aos medicamentos.