Esperança por transplante

10/09/2014

Dvide Bastos da Silva - Paciente do HCB

O Distrito Federal foi apontado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) como o líder nacional de transplantes de rim. Esse reconhecimento é fonte de esperança para os pacientes do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Das 32 crianças que precisam do órgão em Brasília, 28 são atendidas pelo HCB. Elas fazem hemodiálise ou diálise peritoneal, mas algumas ainda não estão na fila para o transplante – têm impedimento por causa de doenças que aumentam as chances de rejeição ao órgão.

Os pacientes do hospital aptos ao transplante são inscritos em São Paulo, mas realizam o máximo de exames possível no DF. “A gente prepara tudo, faz todos os exames, e encaminha para São Paulo com quase tudo pronto, de forma que a criança não tenha que fazer muitas consultas em São Paulo antes de ser ativado em lista”, explica a responsável técnica pela Unidade de Terapia Dialítica do HCB, Lívia de Oliveira (foto acima).

Uma das pacientes que aguarda sua vez de receber o rim é Eliane Alves, de 17 anos (foto acima). A garota já passou por dois transplantes, sem sucesso, e está confiante na terceira tentativa. Com uma rotina de hemodiálise três vezes por semana no HCB, ela já sabe o que quer fazer quando terminar o tratamento: viajar para sua cidade natal, Monte Alegre de Goiás. “Eu já voltei lá, mas tenho que ir num dia e voltar no outro, porque tenho que fazer hemodiálise. Eu quero ir e ficar bastante tempo”, conta a menina, que se mudou para o DF há pouco mais de um ano com a mãe e duas irmãs. O pai e outros dois irmãos ficaram em Goiás.

De modo geral, crianças e adolescentes já têm prioridade sobre adultos quando há doação de órgãos. “Isso faz com que o tempo de espera das crianças em lista seja muito menor; a diálise tem consequências muito mais graves para as crianças que para os adultos”, explica Lívia. Ela acrescenta que “na criança existe um crescimento que é muito prejudicado pela insuficiência renal”.

Para que o tempo de espera (tanto de crianças e adolescentes quanto de adultos) seja mais curto, é preciso que a população se conscientize da necessidade de doar órgãos, e discuta esse assunto antes mesmo do doador falecer. Segundo Lívia, “quem doa órgãos de um familiar geralmente são famílias que já tinham pensado sobre isso antes. Essas famílias são muito mais propensas a doar que uma família que nunca pensou sobre o assunto e que, na hora que morre o familiar, na hora de dor, de sofrimento, vai ter que entender o processo e pensar sobre o assunto”.

Quando a família pensa sobre o assunto e avisa que o parente falecido é doador, ajuda a movimentar a fila de espera. O adolescente Mateus Brito, 18 anos (foto), paciente do HCB, conseguiu um órgão compatível e passou por um transplante no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Geralmente tímido, o rapaz ficou mais animado depois da cirurgia e também planeja voltar para a Bahia, onde já é esperado pela família e os amigos. “Agora, ele não para. É preciso falar ‘Mateus, para um pouco, descansa!’. É demais a alegria, todo mundo está muito feliz”, conta o pai de Mateus, Elísio Brito, sem disfarçar a própria felicidade.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Fotos: Carlos Wilson e Renisson Maia

Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke