Diversão consciente

18/06/2019

A vice-presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri), Sirlândia Albernaz, foi uma das palestrantes do I Encontro do Brincar do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), realizado na terça-feira (28/05/19). Depois de explicar a atuação da ABBri, ela falou sobre como os adultos podem se preparar para que o brincar seja mais valorizado e realizado de forma mais consciente.

HCB: O que é o “brincar consciente”?

Sirlândia Albernaz: É quando um adulto tem clareza do alcance do potencial e da importância que o brincar tem para a criança e para ele próprio. Esse alcance tem exemplos: depois da Segunda Guerra Mundial, toda a Europa estava em pânico, vulnerável e muito fraco, emocionalmente falando. Conta a história que grandes líderes pensaram sobre o que fazer para dar esperança para as pessoas; eles pensaram no brincar, porque a palavra “brincar”, “jogo”, dentro de algumas interpretações, também significa futuro. Eles entenderam que, por meio do brincar, as crianças podem ter esperança de um país melhor. Essa foi a forma de transformar a realidade de dor para um futuro de esperança.

HCB: Quais os benefícios que o brincar traz para a criança que está em ambiente hospitalar, seja na internação ou no ambulatório?

Sirlândia Albernaz: ​Uma das coisas em que o brincar ajuda muito – e isso está baseado em pesquisas e em vivências, práticas – é na adesão ao tratamento e em minimizar a sensação de dor. Ele diminui o estresse e o medo, as famílias também se sentem mais acolhidas quando entram em um ambiente de brincar. Em um hospital, é preciso seguir muitas normas, que fazem com que o “eu” da criança vá se desconectando da realidade e que vão minimizando seu ego – então o brincar é o resgate do “eu” da criança, ajuda a se conectar consigo mesma.

HCB: Como a equipe do Hospital pode se preparar para estar inserida no processo do brincar?

Sirlândia Albernaz: ​Além das reuniões de conscientização e de mostrar como essa atividade faz parte do mundo da criança, uma das coisas legais é brincar com a equipe. Quando a equipe brinca, é como se a gente acendesse aquela chama da infância que está lá dentro, esquecida. No começo, talvez alguns olhem meio torto, mas depois vão se encantar. O brincar faz bem para todo mundo que brinca: adultos e criança. Ele melhora a auto estima, resgata quem somos, resgata aquele lado nosso que a vida adulta nos furta – aquele lado de ser eu mesmo, ter prazer pelo que faz, de ver o belo da vida, de parar para brincar ou para não fazer nada.

HCB: Dentro de um hospital, existem brincadeiras que são mais apropriadas – ou mais recomendadas?

Sirlândia Albernaz: ​O legal é oferecer à criança oportunidades de brincar, verificar a condição física da criança e, a partir disso, oferecer outras possibilidades de brincadeira. Por exemplo: ter o horário do jogo de videogame, depois o horário da contação de histórias; ter uma variação de atividades diversificadas e legais, para que a criança fique bem e feliz.

 

Entrevista e foto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke