O cuidado faz a diferença

22/04/2015

Pacientes que passam por hemodiálise regularmente no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) fazem o percurso de ida e volta do hospital em carro do HCB, dirigido por motoristas. Por terem insuficiência renal, eles têm o direito de usar o transporte público gratuitamente (de acordo com a lei nº 4.317, de 09 de abril de 2009), mas contam com o transporte do hospital como forma de evitar falhas na manutenção do tratamento, para reduzir riscos de atraso no horário de atendimento.

Onze adolescentes passam por esse procedimento no hospital e usam o transporte oferecido. Felipe Mattos, 18 anos, chegou a usar o transporte público no início das sessões, mas mudou de ideia. “No começo, eu vinha de ônibus, só que estava chegando muito tarde e começaram a ir me buscar. Eu chegava tarde e ia embora tarde. Vim com o carro do hospital logo depois; só vim umas três vezes de ônibus”, conta o rapaz.

Felipe faz tratamento há um ano, e normalmente é transportado por Lourisval da Silva. Aos 41 anos, o motorista já trabalhou pilotando máquinas agrícolas e caminhões-guincho, e foi admitido na empresa que realiza o transporte para o HCB há cinco meses. Ele soube da vaga de emprego por meio de outro motorista quando veio acompanhar o filho Dvide da Silva, 17 anos, em uma sessão de hemodiálise.

Lourisval esclarece que, ao ser contratado, foi designado para preencher o quadro de motoristas do hospital (a empresa também presta serviço para outras instituições). “Apesar de ter um filho aqui, o fato de eu estar trabalhando aqui é totalmente profissional”, explica. Embora não atenda a hemodiálise nos dias de tratamento do filho (ele transporta os pacientes de segunda, quarta e sexta-feira, enquanto Dvide vem ao HCB às terças, quintas e sábados), ele já dirigiu para o filho durante uma troca de escalas. “Ele fica tirando sarro da minha cara”, conta, mas garante que Dvide gostou de ver o pai no hospital: “Tudo o que diz respeito ao pai estar trabalhando, ele acha legal”.

Enquanto transporta os pacientes, o motorista aproveita para conversar com eles – mesmo com os mais tímidos. Felipe Mattos afirma que “Tem dia que a gente bate papo, tem dia que a gente vai quieto. A gente conversa sobre muita coisa, fala de carro”.

Como já completou 18 anos, o rapaz pretende tirar a carteira de habilitação em 2015. Ele já andou com outros motoristas; afirma que todos são bons e que “Lourisval dirige bem”. Depois do elogio e acostumado ao trânsito de Brasília, o motorista ressalta que é importante não se estressar com engarrafamentos e interrupções no caminho: “a pessoa tem que procurar ser tranquila, o máximo possível”.

A tarefa desempenhada no HCB é, segundo Lourisval, uma experiência profissional bastante diferente das que já teve: ele sente que seu trabalho é uma forma de ajudar os outros. Por também ser pai de um adolescente com insuficiência renal, ele conhece o lado das famílias dos pacientes e sabe como é importante ter um meio de chegar às sessões sem as complicações do transporte público. “Eu me sinto ajudado pelo hospital, que faz o transporte sem ter que pagar; quando estou trazendo um paciente, de uma maneira ou outra, eu acho que estou ajudando também”, explica.

 

Texto e Fotos: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke