Congresso de Oncologia Pediátrica

25/11/2014

Dos dias 27 a 30 de novembro, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) realiza o XIV Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica. O evento, que acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, reunirá profissionais de diversas especialidades da saúde para discutir o tratamento de crianças com câncer.

O congresso abordará temas relativos ao tratamento de doenças como sarcomas e leucemias. A diferença nesta 14ª edição é a participação de outros profissionais: além dos oncologistas e hematologistas, os simpósios darão espaço para cirurgiões, enfermeiros, entre outros.

A diretora-técnica do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), Isis Magalhães, é a presidente do congresso, e fala sobre a importância deste tipo de discussão ser realizada no Distrito Federal.

 

HCB: Essa é a primeira vez que Brasília recebe o Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica. Por que o evento será realizado aqui este ano?

Isis Magalhães: Foi a própria comunidade científica que, em 2010, pediu para que o congresso acontecesse em Brasília. Essa é a 14ª edição, e a primeira vez que vai acontecer na capital federal. Então, nós aceitamos esse desafio de fazer o congresso acontecer aqui, mas eu acho que o que pesou muito para a equipe a aceitar esse desafio foi a própria existência do Hospital da Criança de Brasília enquanto instituição. O fato de se ter uma instituição bastante representativa da oncologia pediátrica fortalece a equipe médica nesse sentido.

HCB: Qual a importância do Hospital da Criança de Brasília para a oncologia pediátrica?

Isis Magalhães: A experiência internacional mostra que hoje, no primeiro mundo, é possível alcançar taxas de cura de até 80% – já passou de 80%. O que a experiência internacional nos apresenta é que, para ter esse sucesso, é importante ter centros especializados em oncologia; é uma das premissas. A segunda premissa é inscrever as crianças nos estudos e protocolos cooperativos e multinstitucionais. O que significa o Hospital da Criança de Brasília nesse contexto? O HCB é a busca disso ao longo dos últimos 15 anos, dessa equipe que chegou até aqui e, sabendo disso, buscou para a rede pública do DF esse princípio de ter um centro, com todas as equipes de médicos das outras especialidades juntas para o tratamento do câncer de forma adequada. Acho que o hospital representa isso: a concretização do sonho dessa equipe que vem buscando reproduzir os dados internacionais e acompanhar a ciência. A gente se sente responsável por trazer para o Distrito Federal tudo o que a ciência vai descobrindo e elegendo como o melhor modelo de tratamento.

HCB: O que a senhora diria para um pai ou uma mãe que descobre, hoje, que o filho está com câncer?

Isis Magalhães: O diagnóstico de câncer em criança é um impacto muito grande para a criança, para o adolescente, para a família, lógico. A equipe explica o que é a doença, as possibilidades, o que existe de roteiros de tratamento. A gente conversa com bastante realismo, explica os riscos que a criança vai passar nas várias fases do tratamento, também mantém o otimismo – porque o câncer infantil é um câncer em que há mais chances de cura. O mais importante para nós é sentir que conseguimos oferecer, para aquela criança, tudo o que a ciência já descobriu de diagnóstico, os exames todos serem acessíveis. É para isso que a gente luta: para o diagnóstico ser preciso, para haver uma correta classificação de risco de cada criança, saber se ela precisa tratar com um protocolo de quimioterapia mais intensa ou menos intensa, qual o tratamento adequado.

 

Texto e foto: Maria Clara Oliveira
Edição: Ana Luiza Wenke 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke