Alergia é o tema do novo episódio da Rádio Dodói

10/04/2020

No quinto episódio da segunda temporada da Rádio Dodói, o tema é alergia: Cláudia França, alergista e imunologista do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), fala sobre os principais casos encaminhados para o HCB e como é o acompanhamento das crianças com esse diagnóstico.

HCB: Quais são as alergias mais recorrentes aqui no Hospital da Criança de Brasília?

Cláudia França: As alergias mais frequentes que aparecem para a gente cuidar são os problemas respiratórios – entre eles a asma, que as pessoas chamam de bronquite, e a rinite alérgica. Tem, também, os problemas na pele – o nome que a gente dá para eles é dermatite atópica, as alergias da pele.

HCB: Quais são as explicações que a equipe dá para os pais em relação à causa das alergias?

Cláudia França: O que explicamos sempre é que as alergias têm uma herança genética. Então, do jeito que a gente herda a cor dos olhos ou o cabelo dos pais, vem algum gene que também pode ser o da alergia. Com isso e com mais algumas alterações no ambiente, aquela criança, o seu bebê, pode desenvolver uma doença alérgica. A gente sabe que hoje, por causa da poluição e do desenvolvimento das cidades, as doenças alérgicas estão aumentando muito: as doenças respiratórias acometem aproximadamente 20% da população. Outra doença alérgica importante que está aumentando muito é a alergia alimentar; essa já existe em uma frequência menor, mais ou menos 6% das crianças têm alergia alimentar; as doenças respiratórias são as mais prevalentes.

HCB: Quais são os sinais de alerta a que os pais têm que ficar atentos para saber se o filho tem um problema alérgico?

Cláudia França: Para alergias da parte respiratória, são aquelas crianças que adoecem mais. Normalmente, a imunidade da criança vai se desenvolvendo desde que ela nasce: o sistema imunológico, com o passar da idade, depois dos dois ou três, quatro aninhos,  ele começa a adoecer menos; algumas crianças não – por quê? Porque tem essa herança de alergia, e o quadro da asma e da rinite não deixa a criança ficar bem. Então é uma criança que está sempre doente, com tosse, que precisa ir ao hospital, com falta de ar, com o peito chiando. Ou então com algumas coisas na pele, manchas vermelhas, que coçam. No caso da alergia alimentar, é uma criança que não ganha peso, que tem diarreia, que tem vômito ou que tem reações graves, como as reações de choque anafilático.

HCB: Os casos de alergia são tratados de forma ambulatorial aqui no Hospital?

Cláudia França: Sim. A alergia é uma especialidade basicamente ambulatorial, em que a gente recebe o paciente e conversa com a mãe. O Hospital dispõe dos testes de alergia: se são necessários os testes de alergia alimentar, testes alérgicos na pele, a gente faz, para chegar ao diagnóstico. Além disso, a gente também faz parte do tratamento, que é uma coisa muito interessante: aulas educativas, as palestras. Também damos sempre a orientação de como o pai cuidar da casa, como fazer a prevenção para que a criança não adoeça mais do que deveria acontecer normalmente.

HCB: Essa especialidade também atua em relação à imunidade das crianças?

Cláudia França: Sim, a imunidade também faz parte da nossa especialidade. Avaliamos a imunidade quando uma criança adoece demais, interna no Hospital, às vezes tem quadro grave e vai para a UTI – o sistema imunológico deve ser investigado. São as doenças chamadas de “erros inatos da imunidade”, então a criança nasceu com um problema de imunidade e isso vai ser diagnosticado, inclusive no teste do pezinho. Algumas crianças têm o quadro bem grave, que se chama “imunodeficiência combinada grave”. É a mais grave, a criança precisa até receber um transplante de medula, que é um tratamento curativo e que precisa de cuidados muito intensos. Aqui no Hospital, a gente também trata esse grupo de crianças.

HCB: Existem outros tipos de alergia que também são encaminhados para o HCB, mesmo em menor frequência?

Cláudia França: Aqui no Hospital da Criança de Brasília, a gente tem atendimentos bastante modernos, tanto para as crianças com quadros alérgicos, como quadros anafiláticos. Casos de reações a picadas de abelhas e outros insetos também podem ser atendidos aqui no Hospital, assim como a reposição de medicamentos para aqueles pacientes com problemas graves da imunidade.

HCB: Dra. Cláudia, existe uma Semana Mundial da Alergia. Como o HCB atua nessa campanha?

Cláudia França: Aqui no Hospital, anualmente, a gente lembra essa data e faz uma comemoração com palestra educativa e interação entre os pacientes, com o tema que é designado pela Sociedade Mundial de Alergia. Esse ano, o tema vai ser “Anafilaxia”; quem são os pacientes que têm anafilaxia? Na infância, ela pode ter as causas mais comuns: os alimentos, assim como os medicamentos.

HCB: Em casos de choque anafilático em casa, como os pais devem proceder?

Cláudia França: O pai deve deitar a criança e levantar as perninhas dela, porque isso melhora a circulação, e imediatamente ligar para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Os nossos pacientes já têm um plano de ação: quando o paciente já tem o diagnóstico, sabe qual é a causa da anafilaxia, ele tem um plano de ação de medicamentos que ele já pode usar em casa, até conseguir o atendimento hospitalar.