Além da visão e do tato

13/12/2013

Agora, parte dos pacientes que realizam quimioterapia no Hospital da Criança de Brasília José Alencar recebe menos picadas na procura por veias para infusões. Há dois meses, a equipe de antestesiologia do Hospital, liderada pelo médico Luciano Fares, passou a realizar o acesso venoso em camadas mais profundas com o ultrassom. O equipamento utiliza ondas sonoras transformadas em imagem para enxergar aonde os olhos não são capazes.

O anestesiologista explica que, pelo perfil de pacientes do HCB – quimioterápicos –, o acesso de veias superficiais, próximas a pele, é perdido com facilidade. “A medicação faz com que o superficial perca perviabilidade. Ela ‘estraga’ o acesso”, disse. Por isso, é preciso recorrer a acessos mais profundos e em outros locais que não sejam somente nos braços e pernas. Por exemplo, o pescoço. “Temos equipamentos que facilitam a visão de veias próximas da pele. Além disso, os olhos e o tato ajudam a acha-las. Porém, com os profundos, o ultrassom vira meu olho. Vejo próximo a ossos e artérias”, comenta.

Normalmente, o que precisaria, talvez, de algumas tentativas, reduz-se a uma. “Para o paciente, significa menor dor, estresse, e mais confiança no procedimento médico. A certeza de enxergar o acesso chega a 99%, e de garantir o acesso, 70%”, explica Luciano. A paciente Bárbara da Silva Pereira, 12, perde veias superficiais com muita facilidade, o que complica o processo de medicação. Mas, com o ultrassom, o resultado foi diferente. “Bem mais rápido. O que eu tinha de dor antes por picadas, agora sinto pouco e uma vez só”, disse.

Pela versatilidade do ultrassom usado no HCB, que parece um laptop e é portátil, Luciano Fares comenta a possibilidade de usar o equipamento e técnica em outras áreas. “Normalmente o ultrassom faz as pessoas pensarem em ginecologista e radiologista, mas ele serve para muitas outras coisas. Sempre que disponível e solicitado em outros setores, pode ser usado. O sucesso é garantido”, finaliza.