Voluntariado

14/01/2016

Bianca Rosendo sempre teve vontade de exercer algum trabalho voluntário. Essa paixão por ajudar os outros é explicada pela religião da família, que é adepta do espiritismo. “Meus pais acreditam que, para uma pessoa ter harmonia na vida, é necessário que ela se doe para alguém. Só assim você vai ter uma boa vida pessoal”, explica a designer, de 24 anos.

Ela começou a se dedicar às atividades voluntárias durante o ensino médio, mas quando se formou no terceiro ano, ficou algum tempo sem exercer esse tipo de trabalho. Para ela, a falta do voluntariado significava um vazio em sua vida. “Eu acabei sentindo falta, é algo que eu precisava para a minha vida. Eu creio que isso era uma forma de equilíbrio”, conta.

Mas ela logo voltaria a ter o voluntariado no seu dia a dia, pelo menos por um tempo – e em um lugar bem longe de casa. “Eu participei do programa Ciência sem Fronteiras e, durante um ano e meio, fiquei em Londres. Quando cheguei lá, eu queria de qualquer jeito encontrar algum lugar onde eu pudesse ajudar como voluntária. Acabei conseguindo. Durante a semana do dia das crianças, eu fui a uma pré-escola e fiz várias pinturas faciais nos alunos. Foi bem legal”, lembra.

Quando Bianca voltou para o Brasil, porém, mais uma vez o trabalho voluntário ficou “na sarjeta”. Ainda assim, ela não precisou ir longe de casa para procurar pela atividade humanitária. “Minha mãe me disse que a Abrace tinha um projeto para voluntários e que alguns eram direcionados para o HCB. Eu fiquei bastante interessada, porque trabalhar com crianças sempre me atraiu”, afirma.

Ela entrou em contato com a Abrace e conseguiu vir para o Hospital. Há pouco mais de um mês, Bianca é uma das várias voluntárias que se divertem com os pacientes nas brinquedotecas do HCB. A relação com os pequenos é tão intensa, que eles a inspiraram no seu trabalho de conclusão de curso na universidade. “Eu acabei de me formar em design e elaborei um projeto de brinquedos para crianças com síndrome de Down. O contato com o Hospital me ajudou um pouco, me incentivou. A reta final da faculdade é um período difícil, você fica meio desanimado, mas quando eu vinha para cá, via o quanto o brinquedo é importante para uma criança. O quanto brincar é importante para uma criança”, relata.

Aliás, foi por meio das brincadeiras que Bianca percebeu as diferenças entre a mente infantil e a adulta. Para ela, as crianças são “muito imaginativas. É muito legal o jeito que a criança vê o mundo. É um modo totalmente diferente de um adulto. Até porque elas não têm as barreiras que as pessoas mais velhas têm. O mundo delas é mais criativo. É muito legal vê-las conversando ou coisa do tipo”.

Segundo Bianca, as crianças do Hospital são ainda mais espertas. Ela acredita que a rotina de um ambiente hospitalar faz com que  as crianças criem mais responsabilidades em comparação a outras. “Quando a criança tem um problema de saúde, você nota que elas crescem muito rápido mentalmente. Ou porque ficaram responsáveis pelo irmão mais novo, ou porque já entenderam a condição delas, ou porque já sabem as consultas que devem fazer, e sabem que, às vezes, têm que ficar internadas. Algumas crianças falam coisas de gente adulta”, avalia.

Mas ela lembra que, mesmo em um hospital, a diversão das crianças não é deixada de lado. Prova disso são as apresentações teatrais que acontecem regularmente no HCB e as atividades dentro das brinquedotecas. De acordo com Bianca, “isso salva as crianças. Porque essas atividades tiram a cabeça delas do pensamento de que estão doentes, faz com que elas sejam crianças de novo. Acho bacana o Hospital fazer isso”.

Bianca está constantemente incentivando amigos a compartilharem da mesma experiência. Ela define que o voluntariado é “algo muito importante. Não só para o voluntário, mas também para as crianças que estarão em contato com você”.