Superando obstáculos

Alícia Alves Silva, cinco anos, é atendida pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) desde agosto de 2014, quando começou a tratar um linfoma. Ao final do ciclo de quimioterapia, ela sabe o que quer fazer nessa nova etapa do tratamento. “Vou para casa pular em cima da cama da mamãe e do papai. É legal”, conta a menina. O pai de Alícia, Jorge Luíz Silva, e a mãe, Gisele Alves, contam a trajetória da filha até sua chegada ao HCB.

Alícia nasceu em Araguaína, Tocantins, e lá seus pais descobriram o problema cardíaco da menina. “Ela contraiu um vírus e teve miocardiopatia dilatada. Quando isso foi descoberto, trouxemos ela para Brasília para fazer um transplante de coração”, explica Jorge. Gisele conta que, como a cidade onde a família morava não tinha profissionais que pudessem tratar essa doença, “a médica deu alta e pediu para que nós procurássemos ajuda por conta própria. Lá em Tocantins, todos os diagnósticos eram tratados como anemia”.

Alícia veio para Brasília porque Jorge tinha parentes no Distrito Federal, de modo que a família recorreu ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC). A menina foi encaminhada para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), onde passou pelo transplante ainda aos dois anos de idade.

Como não houve problemas na recuperação depois do transplante, Alícia e seus pais voltaram a Araguaína; no entanto, a menina teve introspecção intestinal. “Internamos ela e a médica pediu para que eu a trouxesse novamente para Brasília; foi feita uma cirurgia”, relata Jorge. O pai de Alícia explica, ainda, que a filha “perdeu oitenta centímetros de intestino e, quando foi feita a biópsia do pedaço que ela perdeu, foi descoberto o linfoma”.

Gisele comenta que a coordenadora do transplante de coração da filha foi quem ajudou a família. “Foi ela que teve a curiosidade de fazer a biópsia e nos encaminhou para o Hospital da Criança de Brasília. Em Araguaína não tinha cirurgião pediátrico e, como a Alícia era transplantada, conseguiu ser internada em menos de doze horas. Eu não precisei fazer nada, pois não sabia como conseguir fazer o tratamento”.

A mudança definitiva da família de Alícia, que estava em Tocantins, para Brasília foi inesperada. “Tive que largar tudo lá; larguei faculdade, o serviço e vim” conta Jorge, que estuda Engenharia Civil. Ele explica que, para acompanhar o tratamento da filha, transferiu toda a vida para a nova cidade: “Precisei trabalhar, estudar, arrumar uma casa por aqui”, diz Jorge. Gisele completa: “Ficamos alguns meses na casa do meu sogro até ver o que ia acontecer com a Alícia. Quando disseram para fazer o transplante, alugamos uma casa em Ceilândia. Hoje, a gente tem um apartamento próprio em Samambaia, porque meu sogro comprou para nós”.

Segundo o pai de Alícia, a mudança foi lenta. “Fui trazendo as coisas; recebemos uma ajudinha dali outra daqui. Os pais, as mães, os avós e os tios, cada um deu alguma coisa, ajudaram para que a gente conseguisse vir. Uma mudança dessas fica difícil, mas a gente tem um restaurante da família em Tocantins, então meu pai, minha mãe e eu conseguimos tirar sustento por meio desse restaurante”, conta Jorge. Ele diz que “toda a medicação de que Alícia precisa, recebe pela Farmácia de Alto Custo”, reduzindo os gastos com a mudança para Brasília.

Enquanto assiste a seu filme favorito (a animação “Frozen”, da Disney) ao lado de seu pai, na Unidade de Terapia Endovenosa (UTE) do HCB, Alícia canta “Você quer brincar na neve?”, da personagem Anna, mas Elsa é a sua personagem preferida. As mudanças por causa do tratamento fizeram Alícia parar de estudar, mas a menina retornou à escola em abril desse ano. “Ela já está no Jardim II”, explica Jorge.

Mesmo antes de voltar às aulas, Alícia já dizia que as colegas de classe eram “todas melhores amigas” e fazia planos de chamá-las para brincar em sua casa. O acompanhamento médico, agora, prevê consultas mensais – permitindo que a família tenha mais tempo para diversão. “A rotina era tão grande que ainda não tivemos a oportunidade de conhecer Brasília. Agora vai dar para fazer isso”, explica Gisele.

 

Texto: Leonardo Farias
Fotos: Maria Clara Oliveira

Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke