Ser pediatra é gratificante

27/07/2016

Benício Oton de Lima poucas vezes havia pensado em cursar medicina. Se tornar um neurocirurgião, então, nem passava por sua cabeça. Contudo, ele foi guiado para essa área e há mais de 40 anos exerce a profissão – boa parte desse tempo, atendendo crianças. Depois de todos esses anos, Benício ainda mantém o desejo de fazer um bom trabalho, sobretudo no serviço público.

“Ser médico não foi uma coisa que eu sempre quis, veio naturalmente. Decidi fazer medicina e, depois, tive vontade de fazer neurocirurgia. Atendi em várias áreas da neurocirurgia, mas, de repente, notei que minha clínica era cheia de crianças. Aí eu falei: ‘já que eu estou aqui, vou me especializar mais’. O mundo me levou a isso, não foi nada que eu houvesse planejado antes.

Ser pediatra é muito gratificante. O maior ganho é a satisfação. É muito agradável trabalhar com criança. Tem aquela história do Confúcio: ‘quem gosta do que faz não precisa trabalhar pra viver’. Então é basicamente isso: você gosta do que está fazendo e faz por amor.

Eu brinco com as crianças. Se você disser que está doente, vai adoecer mais rápido. Então, muitas vezes, você não pode dizer para uma criança o tamanho do problema – atrapalha o tratamento e a recuperação. A parte emocional cria muitas doenças, mas salva de muitos problemas também. Se a pessoa tiver confiança que vai dar certo, tem mais chances de dar certo do que se ela tivesse certeza que ia dar errado.

Todo dia a gente aprende alguma coisa; não só com elas, mas com os pais. Você tem que saber cuidar dos pais, isso faz parte da pediatria. Se não, você não vai entender as crianças. Para um neurocirurgião, então, falar para os pais sobre o estado da criança, dizer: ‘Vou ter que fazer uma cirurgia na cabeça do seu filho’... A casa cai quando os pais ouvem isso. Ninguém quer ver o filho doente. A gente desmonta, sofre muito mais.

Minha experiência no Hospital da Criança foi uma das melhores da minha vida. O ar que a gente respira aqui é diferente. A visão do Hospital, das pessoas que aqui trabalham, é de querer fazer um atendimento de qualidade; é muito agradável para se trabalhar. Estou ansioso pelo segundo bloco e na expectativa de fazer uma medicina pública de qualidade. Eu acho que isso é um sonho, será um grande passo para a melhoria da saúde pública do DF”.

 

Texto e foto: Augusto Almeida
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke