Há sempre algo na profissão que emociona

24/07/2014

Na faculdade de medicina, Eduardo Morais não sabia se queria trabalhar na geriatria ou na pediatria. Depois de se decidir pela segunda especialidade, ele passou a integrar o quadro de alergistas do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB).

“Sempre fui muito aos dois extremos: gostar de idoso e gostar de criança. Dentro da faculdade, a gente já vê o perfil; muitos colegas têm essa dúvida. Eu entrei falando que ia fazer geriatria, acabei na pediatria.

É uma coisa que não tem muita explicação; você vai eliminando alguns outros fatores, vai excluindo algumas outras especialidades – mas pediatria sempre me chamou a atenção. Primeiro, pela questão de poder lidar com criança, que é um tipo de perfil de paciente que eu gosto; segundo, pela facilidade que a gente tem em relação à resposta terapêutica.

As crianças melhoram com facilidade, costumam dar um retorno da parte prática médica de uma forma mais eficaz que em outras clínicas. É uma coisa que me atraiu muito, poder fazer o bem e fazer com resolutividade, com retorno. Sempre tem algo na profissão que emociona.

Falando da minha prática dentro do Hospital da Criança, eu trabalho como alergista, com um tipo de doença em que não se trabalha com cura. A gente sempre deixa bem claro para os pacientes que eles não vão sair daqui a um mês ou dois com o problema resolvido. É com o controle, melhora da qualidade de vida dessas crianças por meio do tratamento, desse nosso contato, do acompanhamento ambulatorial, com as medicações, com a terapia através da imunoterapia, que a gente vê resposta de melhoras. As crianças que tinham muitas crises começam a ter menos, sintomas alérgico-respiratórios diminuem. Essa prática de ver, realmente, respostas – eu sei que, às vezes não é resposta para resolver o problema – para melhorar a qualidade de vida das crianças é um retorno muito gratificante.

Como pediatra, a gente tem desafios todo dia. Quando acorda, quando vai lá, escova os dentes, toma um café e entra no carro para vir trabalhar. O desafio é diário, porque todo dia você tem que se comprometer a fazer o seu melhor, tentar ser o mais dedicado aos seus pacientes, atencioso, educado. A parte de conhecimentos; termina o dia, ir pra casa, ter que estudar, renovar seu conhecimento médico... O desafio é diário.

Todo dia, a medicina caminha, ela muda e o perfil dos pacientes tem mudado também; hoje os pacientes cobram mais do médico, querem saber mais sobre a sua doença. Então, manter essa relação médico-paciente de uma forma harmônica talvez seja o maior desafio. E como eu disse, é uma coisa que a gente tem que melhorar diariamente.”