É bom demais !

24/07/2014

Messilene Cavalcante tem quase dez anos de carreira médica, e decidiu ser pediatra depois de uma experiência no Programa Saúde da Família (PSF) em Anápolis-GO. Ela é uma das plantonistas do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e também atende crianças quando trabalhou no Hospital Regional do Guará (HRGu) e em um centro de saúde na Estrutural, além de ser gastropediatra. Nesse depoimento, Messilene se emociona com a gratidão que recebe dos pacientes.

“Em outubro, completo dez anos como médica. Quando terminei a faculdade, entrei no Programa Saúde da Família (PSF), em Anápolis, onde os meus pais moravam. Lá, comecei a atender crianças, e eu amei o trabalho – foi aí que decidi fazer pediatria... A criança é mais carinhosa e mais sincera, não é?

O melhor desse trabalho é a criança reconhecer que a gente cuida dela – no posto de saúde, a gente sente mais isso. Quando uma criança me vê e dá um sorriso enorme, já identifico uma coisa boa. A parte mais complicada é que muitas vezes ela não fala, então você tem que ficar atento e examinar tudo. Não é igual ao paciente adulto, que chega falando “dói aqui, dói ali”; a criança às vezes chora porque tem alguma queixa.

É constante também as crianças sentirem medo do médico, mas eu tenho alguns truques para não amedrontá-la.  Tiro alguma coisa colorida no bolso, brinco, vejo se conquisto a criança. É até engraçado. Na enfermaria, por exemplo, o jaleco da enfermagem é azul e o dos médicos é branco. Vez ou outra chega alguém vestido de azul, elas começam a chorar, e quando é de branco, quem é paciente antigo já fica tranquilo, porque sabe que é só para examinar.

Um dos momentos mais emocionantes da minha carreira foi na Estrutural, que antes era como uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Eu estava saindo do plantão quando chegou uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com uma criança em convulsão – eu estava saindo para ir para a residência, porque eu fazia gastropediatria. Eu fiz um anticonvulsivante e a criança não parou de convulsionar na ambulância.

Eu falei “vamos colocar a criança dentro da unidade, porque está muito apertado aqui e não dá para se mover; vamos pôr oxigênio, fazer tudo direitinho”. De repente, o menino piorou, a gente reanimou e ele reagiu bem. Tempos depois essa mesma criança voltou para agradecer, e eu fiquei muito emocionada. Nunca esqueço.

Houve vários casos. Na residência, chegou uma criancinha de Inhumas com insuficiência respiratória. A gente entubou essa criança, colocou no respirador, foi para a UTI, e quando eu fui levar outra criança em outra UTI, a criança já estava bem, esperando a consulta do otorrino. É gratificante. Hoje, o melhor desse trabalho não é nem o atendimento em si, é ver que ele dá resultado. Melhora a saúde e diminui o sofrimento de muitas crianças. É bom demais!”.