O convívio com as crianças é algo mágico

Antônio Luiz Galdino da Silva, 61 anos, é voluntário da Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace) e atua no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) desde 2014. Há um ano arrancando sorrisos das crianças e aprendendo muito com a inocência de cada paciente, o psicólogo aposentado vê que o trabalho voluntário pode gerar alegrias e experiências que em nenhum outro local seriam possíveis.

“Enquanto eu ainda trabalhava como psicólogo, atendendo adultos, em especial, eu tinha esse plano de ser voluntário para depois da aposentadoria. Para mim, na verdade, não existe aposentadoria. O que muda é apenas a forma como você vai realizar alguma atividade.

Então, eu decidi ser um voluntário da Abrace, mais especificamente do HCB. Acabei escolhendo o grupo de voluntários ‘Alegria, alegria!’, porque é um grupo voltado para o trabalho com crianças. Eu queria ter uma experiência diferente, já que passei boa parte da minha vida trabalhando apenas com adultos – e foi um casamento que deu certo.

O meu relacionamento com as crianças é de muita interação, algo espontâneo. Quando eu me relaciono com essas crianças, me sinto como se estivesse no meio da minha família, com meus netos. Na verdade, são as crianças que nos ensinam, que nos dão a direção das brincadeiras.

Isso é algo que não fica apenas entre as crianças, os pais também interagem. Um deles chegou a criar um quebra-cabeça com a minha foto. Ele viu que, quando eu brincava de quebra-cabeça com as crianças, elas conseguiam fazer tudo com mais facilidade. Porque criança aprende mais rápido. Esse pai me disse que eu estava realmente quebrando a cabeça demais e não conseguia fazer nada! Ele me fez essa homenagem. Tirou uma foto minha e montou, com ela, um quebra-cabeça. Eu achei isso genial.

Esse reconhecimento dos pais é muito importante. Eu sinto que eles têm um grande carinho e cuidado não só com seus filhos que estão aqui no hospital, mas também com toda a equipe ao redor dessa criança. Isso beneficia não somente uma pessoa, mas várias. É um belo sentimento de coletividade, você sai do particular e deixa de pensar só no seu problema, na sua dificuldade.

O convívio com as crianças é algo mágico. Elas conseguem te deixar mais feliz, independentemente da situação. Mesmo que eu quisesse chegar aqui e não ter esse bom humor, a interação com cada uma produz essa alquimia. Você se transforma de repente, se esquece de tudo e entra no ambiente delas”.

 

Texto e fotos: Augusto Almeida
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke