Jovem lutadora

Aos oito anos, Paola Evelyn de Souza acumula conquistas esportivas: lutadora de Jiu-Jitsu, a paciente do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) ganhou medalha de ouro em quatro competições e segue para um campeonato em Salvador.

“Eu estou no terceiro ano e gosto de fazer um monte de coisas: mexer no celular, assistir TV, bagunçar. Antes eu ficava sempre trancada no quarto; só queria assistir TV, não queria ir para a escola, me trancava no quarto, batia a porta.

Minha mãe falou que eu podia experimentar uma coisa nova, que era o Jiu-Jitsu. Na primeira faixa eu já falei que ia cair, me machucar, que não queria fazer. Agora que eu estou mais velha, quero continuar. Lá na frente, eu sei que vou conseguir uma coisa maior e que vou poder ensinar outras crianças. Crianças com a minha doença, que querem experimentar, podem experimentar; você não pode desistir do seu sonho, porque sempre que desiste, lá na frente não vai ter outra oportunidade. Depois que comecei o Jiu-Jitsu, eu saía mais de casa, falava para a minha mãe que queria lutar todo dia – porque eu achava muito legal, já cheguei fazendo amigos.

Quando comecei, meus amigos da escola falaram assim: ‘Não, Paola, você vai se machucar! Vai se arrebentar e não vai poder vir mais pra escola, vai ficar internada’. Eu achei que não ia conseguir fazer nada, prestei mais atenção nos meus amigos que em mim mesma. Depois, fui acreditando mais em mim que neles. Segui em frente e não me machuquei. No meu último campeonato, machuquei o braço, mas não foi nada demais; foi uma dorzinha, mas passou. Participei de quatro campeonatos e ganhei medalha de ouro em todos.

O que eu mais gosto no Jiu-Jitsu são as quedas, porque você pode evoluir mais e é muito legal quando você derruba, quando você cai. Quando eu caio, não sinto dor, porque já sou experiente. Agora que eu sou faixa vermelha, não sinto dor; na faixa branca, eu sentia muita! Agora eu ganho chute, ganho soco e não sinto dor. Já passei por três faixas, essa é a quarta: branca, amarela, laranja e vermelha. O treinador decide quando trocar de faixa pela nossa evolução. Você só passa de faixa se tiver menos de sete erros; em todos os meus exames de faixa, eu sempre tive só três.”

 

Texto e foto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke