Vou ser oncologista.

05/11/2013

Faço coisas que toda adolescente faz. Gosto de me maquiar, pintar as unhas e falar no celular. A única diferença é que eu tenho câncer. Tenho 14 anos e faço tratamento há um ano no Hospital da Criança de Brasília. Conheci muita gente legal aqui. Eu comecei a sentir muita dor nas costas e falta de ar. Passei por dois diagnósticos errados; me davam medicamentos que faziam a dor passar, mas aumentava a falta de ar. Até que fui diagnosticada com linfoma e comecei o tratamento no HCB. No começo eu não conseguia aceitar, mas com os conselhos das enfermeiras e amigas, acabei me sentindo acolhida. Fiquei triste quando meu cabelo caiu, mas já me acostumei.

Quando crescer, vou ser oncologista, mas de adulto. Estou aprendendo tanta coisa com o meu tratamento que desisti de ser advogada, que era a minha vontade desde criança. Inclusive, tenho um gato de estimação e o nome dele é Sakamoto. É uma homenagem ao meu oncologista, Luis Sakamoto, que me atende aqui no Hospital.

Também gosto muito de escrever. Tenho um diário onde falo sobre tudo que acontece comigo. Ainda não deixo ninguém ler, mas quero lançar um livro mais pra frente, quando ficar boa de vez. Quero também lançar um CD. Eu canto na minha igreja desde os 10 anos. Vou querer ser médica artista.
Sonho com a minha festa de 15 anos. Ela vai ser toda lilás, que é a minha cor favorita. Estou planejando na minha cabeça.

Gosto de assistir novelas e conversar por mensagem com os meus amigos, principalmente para passar o tempo quando estou internada no Hospital. Eu não tenho do que reclamar, as enfermeiras são carinhosas, e gosto até da comida. Menos quando vem sem sal.

Se pudesse pedir três desejos, eles seriam:
1-      Ficar boa logo;
2-      Condições financeiras melhores para os meus pais;
3-      Ter saúde.