Vou sentir saudade da minha linda e brilhante careca!

Quando tinha oito anos fui diagnosticada com leucemia. Fiz o tratamento por dois anos e correu tudo bem. Mesmos com a quimioterapia, naquela época meu cabelo resistiu firme e forte. No inicio desse ano, 2013, tive uma recaída e tive que recomeçar o tratamento. Dessa vez as minhas madeixas não aguentaram a forte medicação e nas primeiras sessões alguns fios caíram, então resolvi raspar logo tudo.

O primeiro dia de “careca” foi esquisito. Sentia aquela sensação gelada e quando passava a mão na cabeça parecia que estava molhada. Comecei a sair de casa com touca ou lenços, não que eu tivesse vergonha, mas porque não sabia como seria para as outras pessoas me verem sem cabelo. Quis evitar aquele primeiro impacto. Logo as pessoas ao meu redor se acostumaram com a ideia, então nem a peruca que eu comprei estou usando ultimamente.

Lógico que ficar careca não é a melhor das opções; no meu caso nem é uma opção. Não vou dizer que é bom, mas também não é o fim do mundo. Ter ou não cabelo não define quem eu sou ou o quão feliz eu posso ser. Na verdade, tem sim um lado bom! Reduzi consideravelmente meu tempo no banho, de 40 para 20 minutos.

Com toda essa história, tive que criar um novo estilo bem próprio. Afinal, “moda careca” não é algo que se encontra nas lojas de um shopping. Frequentemente uso lenços, toucas, bonés, etc. Me sinto bem assim!

Esse não é um período fácil: hospital, agulhas, vários remédios, inchar, desinchar, dores, ficar enjoada, não poder ir pra escola, cinema... Mas sei que se eu não levar numa boa vai ser pior ainda. Então, é isso que tento fazer: levar numa boa. Tudo isso é passageiro e logo estarei na ativa, com meus longos cabelos de volta. E no futuro, quando chegar a hora de lavar, secar e desembaraçar o cabelo, sei que ainda vou sentir saudade da minha linda e brilhante careca!